Mar de inovação em Minas

Com uma queda pelo empreendedorismo, mineiros surfam na onda da tecnologia e descobrem nas startups um negócio que vale ouro

Minas Gerais se rendeu à tecnologia e à inovação. Historicamente voltada para modelos tradicionais de negócios (comandados pela indústria, mineração e agricultura), a economia do estado já não é mais a mesma. Deixou de lado a desconfiança e se reinventou. Desde 2005, quando a Google comprou a Akwan, empresa mineira que desenvolvia sistemas de busca, o mercado regional se abriu para o novo e entrou no radar das gigantes de tecnologia. O resultado disso foi a evolução natural de uma forte veia empreendedora, que há tempos andava um pouco desligada.

O mar de Minas, agora, é a inovação. E os mineiros sabem bem como surfar nessa onda. Dados da Associação Brasileira de Startups (ABStartups) apontam que o estado é o segundo maior do país em número de startups, com 357 empresas atuando no mercado. Cerca de 300 se concentram na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e grande parte integra a comunidade chamada San Pedro Valley. O nome é uma referência ao Silicon Valley, ou Vale do Silício, na Califórnia (EUA), região que abriga startups e multinacionais da tecnologia, como Google, Facebook e Apple. Em BH, o aglomerado nasceu de uma brincadeira entre os primeiros empreendedores do bairro São Pedro e virou coisa séria quando se tornou polo de startups.

San Pedro Valley é, sem dúvida, um fenômeno. Enquanto o mercado de trabalho amarga as consequências da crise econômica que assola o país, as startups da comunidade multiplicam o quadro de funcionários, aumentam o número de clientes e atraem o interesse de investidores. É o caso da Sympla, plataforma de vendas e gerenciamento de ingressos para eventos, que em junho recebeu investimentos da ordem de R$ 13 milhões da Movile, multinacional brasileira líder em mobile commerce na América Latina.

Lançada em 2012, a startup mineira lidera o mercado de tickets no Brasil, impulsionando o segmento de eventos do it yourself (faça você mesmo) e permitindo que qualquer pessoa faça a gestão de suas festas, shows, palestras e eventos esportivos. A empresa já vendeu mais de 4 milhões de ingressos para cerca de 50 mil eventos, realizados em 2 mil cidades brasileiras. Atualmente, registra pelo menos 4,3 mil eventos simultâneos. “Nosso foco é oferecer a melhor experiência para a descoberta de eventos e compra de ingressos do país, bem como as melhores ferramentas de gestão para os produtores dos eventos”, afirma o cofundador e CEO Rodrigo Cartacho.

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Rodrigo Sympla

Crédito: Rodrigo Cartacho / divulgação Sympla

Com o aporte, a Sympla investirá fortemente em inovação, para apresentar ao mercado produtos diferenciados e novas formas de interação e experiência em eventos. “A expectativa é de continuar crescendo forte, ultrapassando R$ 100 milhões transacionados on-line em 2016. No ano passado, superamos a meta de R$ 40 milhões”, diz. A boa fase da Sympla já havia sido coroada no fim do ano passado, com a eleição de Startup do Ano no prêmio Spark Awards 2015, idealizado pela Microsoft e pela ABStartups – considerado o principal reconhecimento na área.

Cartacho acompanhou de perto o desenvolvimento de San Pedro Valley, que sempre teve como base o conceito de troca de experiências e ajuda mútua entre os integrantes. De acordo com o empresário, ali tem-se “um ecossistema em que todo mundo compartilha informação e dá apoio para que as empresas consigam crescer mais rápido”.

Engrenagem colaborativa

Além das centenas de startups, San Pedro Valley tem cadastradas aceleradoras, incubadoras, escritórios de coworking, investidores e hackerspaces. Todos trabalham colaborativamente com os diversos players do mercado desde que a comunidade nasceu, em 2011. O constante compartilhamento de experiências e habilidades tem um objetivo comum: reduzir o período de aprendizagem, otimizar o tempo, organizar os recursos e acelerar o crescimento do negócio de cada um.

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San Pedro Valley, foi o porto seguro da Smarttbot, confudada por Paulo Gomide

Integrante de San Pedro Valley há alguns anos, a Smarttbot construiu uma bagagem significativa no ecossistema antes de se aventurar no mercado de ações. “A comunidade é muito unida e formada por pessoas que estão dispostas a ajudar sem cobrar nada em troca. Com isso, todos têm acesso a empreendedores experientes, que conseguem orientar os iniciantes, para que estes evitem errar onde eles já erraram. Em San Pedro Valley, tivemos mentores a quem somos muito gratos, como Rock Content, Méliuz e Saasmetrics.co, que nos ajudaram (e ajudam) muito”, conta o cofundador Paulo Gomide.

A startup desenvolve robôs de investimento que realizam operações na bolsa de valores de forma automatizada e estratégica. Criada em 2011 na Inova, incubadora de empresas da UFMG, a Smarttbot ficou quase dois anos nas fases de criação e testes do sistema, até ser lançada em 2013. Paulo afirma que a iniciativa passou por uma etapa tímida de crescimento no início, mas que se tornou bastante acelerada depois.

Agora, ele considera que a empresa atingiu o ponto de equilíbrio. Há mais de 4 mil usuários cadastrados no sistema, e a movimentação financeira em compras e vendas na bolsa passou de R$ 860 milhões, em maio, para R$ 2,3 bilhões, em junho. A equipe também aumentou seu quadro de funcionários, que foi de quatro para 16 pessoas. E a tendência é expandir ainda mais, assim como o escritório, que está prestes a mudar de endereço.

Ainda este ano, a Smarttbot se prepara para dar passos mais largos. A startup foi uma das 11 selecionadas no Brasil para o programa InovaBra, do Bradesco. Paulo explica: “É um processo de seis meses, no qual estamos desenvolvendo, com o banco, uma solução para seus clientes”. Como o Bradesco está constituindo um fundo de venture capital para investir em empresas inovadoras, a expectativa é de que a instituição firme parcerias com as companhias do InovaBra.

No novo modelo de negócios das startups – pautado pelo baixo custo inicial, pelo crescimento em escala e pelas metas e planos a curto prazo –, são grandes os riscos de um projeto não decolar. Nesse sentido, passar pelo processo de validação, quando a empresa precisa escalar seu produto para novos segmentos do mercado, pode ser definitivo. A Smarttbot já venceu essa fase: “Hoje, temos que lidar com as dores do crescimento. Uma delas é manter a qualidade de atendimento e continuar inovando e melhorando nosso produto, enquanto a base de clientes aumenta”. Que venham os próximos discípulos de San Pedro Valley.


Eles estão chegando com tudo

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Varejo decodificado

FOTO KCOLLECTOR / Crédito: Edy Fernandes

Depois de 32 anos trabalhando no mercado tradicional, 18 deles no varejo, Antônio Magalhães resolveu mudar radicalmente sua carreira. Uniu-se a outros dois sócios, lançou a plataforma KCollector (que coleta digitalmente códigos de barra) e se tornou o CEO de uma das startups mineiras com mais alto potencial para voar. “Para mim, que sempre estive no comércio tradicional, cumprindo metas e planos de negócios, trabalhar numa startup é como estar numa montanha russa. Existem altos e baixos todos os dias, e tudo muda o tempo todo, até que você se firma”, relata.

A aventura de Antônio começou há pouco mais de um ano, a partir de uma ideia que nasceu de sua longa experiência no varejo e no gerenciamento de ERPs, um sistema de gestão empresarial. “Percebi que todo comerciante que precisava controlar o estoque e o preço das mercadorias usava um coletor de dados, que é um equipamento caro. Quem não tinha condições de ter um fazia tudo à mão, perdendo tempo e correndo riscos. Daí veio a ideia de desenvolvermos uma solução mais barata e fácil”, conta.

Assim surgia o KCollector, uma plataforma que coleta preços, gera balanços, permite que o comerciante dê entrada de nota fiscal, emite etiqueta de gôndola (aquelas amarelas, que costumamos ver em supermercados) e ainda realiza pesquisa de preços de concorrentes. As várias funções giram em torno da leitura de códigos de barra, que podem ser registrados pela câmera de um celular. “Criamos um produto versátil, que facilita o acesso e faz a inclusão digital de comerciantes que não tinham acesso a esse tipo de equipamento. É um produto para ajudar qualquer pessoa a melhorar o controle interno de seu comércio.”

No fim do ano passado, a startup ficou em primeiro lugar nos programas de aceleração da Startup Farm, uma das maiores aceleradoras do Brasil, e do L’oréal Mobile App Hackathon. Agora, é uma das 300 startups do Brasil selecionadas no programa de aceleração do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o InovAtiva Brasil. Também é uma das novas promessas de San Pedro Valley.

A KCollector está sendo comercializada há apenas dois meses e tem como foco os negócios B2B, ou seja, contratos com outras empresas. “Temos cinco clientes, que atingem 10 mil usuários. São mais de 100 mil pessoas utilizando o produto”, contabiliza Antônio, que vê nos números apenas o começo.


Inovação do bem

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Criadores do Adote Pet comemoram 30 mil usuário inscritos em apenas quatro meses

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), há cerca de 30 milhões de animais abandonados no Brasil. A grande maioria dificilmente encontrará um humano para “chamar de seu”. O problema é grande, mas não intimidou a startup Aces Labs, que resolveu pensar num jeito de resolvê-lo. Em abril de 2014, a empresa lançou o app Adote Pets.

“O aplicativo foi uma forma de fazer a parte social da Ace Labs, que atua no desenvolvimento de ideias e soluções. Como toda empresa precisa ter um produto na prateleira para mostrar seu trabalho, nós unimos o útil ao agradável”, conta o sócio-fundador da startup, Luiz Fernando Branco. O sucesso veio rápido, e a plataforma acabou se tornando uma ponte entre as pessoas que buscam um dono para um animal abandonado e as que desejam adotá-lo. Pela rede, é possível encontrar bichos recolhidos pelos próprios usuários ou por ONGs e entidades de proteção aos animais.

Hoje, são 30 mil usuários inscritos e cerca de 5 mil bichos cadastrados, espalhados em mais de 21 estados do país. A maioria são cães e gatos, mas também há outros, como coelhos e pássaros. A plataforma não tem fins lucrativos, e a Ace Labs está em busca de um patrocinador para viabilizar os custos de manutenção do aplicativo. Enquanto o incentivo não vem, a própria startup arca com os custos. “A gente faz questão de continuar esse projeto”, reforça Branco. O empreendedor diz que ainda pretende melhorar a ferramenta e expandi-la para as plataformas web, já que hoje só é possível acessá-la via aparelhos mobile.

Num curto espaço de tempo, o Adote Pet cresceu muito e continua em franca ascendência, assim como o interesse das pessoas por tecnologias criadas para um bem maior.  “Esse apelo social está se intensificando muito. Acho que é do instinto do ser humano. As pessoas gostam de ajudar, de se sentirem úteis”, ressalta o empreendedor. Na causa animal, a mobilização é tão forte quanto nas ligadas aos direitos humanos. “ONGs e protetores levam a bandeira muito a sério. Há várias regras e cuidados que tivemos que tomar para entrar nesse meio e ganhar a confiança do pessoal. Isso mostra o fortalecimento da causa”, acredita.


Mais poderosas e protegidas

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A segurança das mulheres é a bandeira de Priscila Gama (ao centro) e sua equipe.

Na linha das tecnologias para o bem, outra solução mineira coloca o dedo numa ferida social: a cada 4 minutos, uma mulher sofre algum tipo de violência em Minas Gerais. O dado foi divulgado pela Secretaria de Estado de Defesa Social, que registrou, em 2015, 129.054 casos de mulheres vítimas de agressões físicas, psicológicas ou patrimoniais.

A explosão da campanha #meuprimeiroassédio, no início do ano, e casos como o do estupro coletivo no Rio de Janeiro foram o gatilho para que a arquiteta Priscila Gama criasse o aplicativo Malalai. Com o lançamento da primeira versão em julho, o sistema atuará na prevenção da violência feminina, por meio de um mapeamento colaborativo. Nele, as mulheres poderão consultar suas rotas diárias e marcar características que as deixam ou não seguras naquele local, como o estado da iluminação de uma rua ou a existência de policiamento e porteiros.

“Nosso objetivo é criar uma rede colaborativa de proteção, que começa com a qualificação de ruas e locais por onde passamos”, resume Priscila. Num segundo momento, o Malalai terá um acessório tecnológico, que permitirá às usuárias solicitarem que pessoas de sua confiança as acompanhem à distância pelo mapa, como em um GPS, e funcionará como um botão de emergência em caso de perigo. O acessório ainda está sendo desenvolvido, e a expectativa é de que comece a ser comercializado no fim do ano.

Priscila explica que parte da arrecadação com a venda dos dispositivos será redirecionada para a compra dos acessórios para mulheres de baixa renda, que não têm condições de adquirir o produto, mas são um dos grupos mais vulneráveis da sociedade. A intenção é que as mulheres se ajudem e unam forças para diminuir o índice de assédio no Brasil. “As pessoas se despertaram para o assunto. Isso era uma dor que existia, mas não era discutida. Simplesmente se aceitou que mulheres não podem andar sozinhas à noite, por exemplo. É uma coisa que me incomodou a ponto de pensar que eu deveria fazer algo”, desabafa.

O Malalai é uma das soluções escolhidas para o programa de aceleração Baanko Challenge, que está em busca de startups ligadas aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, da Organização das Nações Unidas. “Nosso objetivo é a igualdade de gênero, e nos encaixamos em duas das metas do milênio: eliminação da violência contra mulheres e aumento do acesso da tecnologia de base como ferramenta de empoderamento feminino”, enfatiza.


O Google dos autônomos

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Aluízio Davis acredita que o Sr. Lupa será uma importante referência na busca por profissionais liberais.

Encontrar o profissional liberal que você precisa, com facilidade e certa segurança, pode ser feito por um simples aplicativo: o Sr. Lupa. Lançada para o mercado em 1º de maio deste ano, Dia do Trabalhador, a plataforma que conecta prestadores autônomos de serviço e seus clientes não poderia ter vindo em melhor hora.

Em pouco mais de dois meses, os sócios Aluízio Davis e Pedro Gosende comemoram o cadastro de quase 1,7 mil prestadores de serviços em diversas categorias profissionais e a geração de 500 conexões, números nada maus para uma startup que está debutando no mercado. Além de servir como um banco de dados gratuito para os trabalhadores autônomos que querem oferecer seus serviços, o Sr. Lupa acabou se tornando uma referência de busca por esses profissionais, pois todos os atendimentos e serviços são avaliados pelos clientes.

Dos profissionais de assistência técnica, construção, educação, moda e beleza, até as categorias que prestam serviços à família, como babás, diaristas e cuidadores, o site está aberto a todas as áreas. E o resultado dessa rede de conexões tem entusiasmado os sócios. “O mais motivador e gratificante, após lançar o Sr. Lupa, é ter o feedback dos usuários nos parabenizando, incentivando, dando suas sugestões e reclamações, e mostrando o interesse no produto”, afirma Aluízio.

O projeto contou com um investimento inicial de R$ 120 mil e ficou um ano e meio em maturação. Aluízio, que é administrador de empresas, mostra-se fascinado com o modelo de negócios das startups: “Todas têm que nascer com uma mentalidade fluida, descentralizada e totalmente aberta a mudanças. Só assim estaremos preparados para crescer de um dia para o outro, sem dar um tiro no próprio pé”. Sobre os próximos passos do Sr. Lupa, o plano está traçado. “Nosso planejamento é que, em torno de cinco anos, estaremos atuando no cenário nacional e internacional”, conclui.


Nova cultura do lixo

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De olho no reaproveitamento de resíduos, o time da Residual tem a meta ousada de cuidar do lixo do mundo.

Uma ideia que começou como um despretensioso projeto na Escola de Engenharia da UFMG, em agosto de 2014, tornou-se uma solução capaz de transformar o mundo. A Residuall, plataforma que tem o ousado propósito de cuidar do lixo do mundo, busca integrar geradores de resíduos, empresas de coleta, recicladores e destinadores, responsáveis pelo tratamento dos rejeitos.

A startup conta com uma parte estratégica e ambiental, localizada na Techmall, aceleradora de negócios de alto impacto; e outra parte voltada para produtos, concentrada no Seed, programa de incentivo de startups do Governo do Estado de Minas Gerais. A equipe é composta por 10 funcionários, com média de idade de 23 anos, que trabalham desde o fim do ano passado de forma voluntária, movidos pelo ideal do projeto. Agora, com os investimentos das aceleradoras, o trabalho, enfim, começará a ser remunerado.

As soluções desenvolvidas e comercializadas são diversas. Há um aplicativo direcionado às geradoras de resíduos, que permite solicitar e agendar coletas, bem como avaliar o atendimento. A startup também criou um software para os coletores, que faz a roteirização das empresas geradoras de lixo e reduz em 40% os custos operacionais do serviço.

Outro nicho que tem figurado na linha da Residuall é o tratamento do óleo de cozinha usado. “Esse resíduo, quando descartado na rede de esgoto, encarece em 40% o custo de tratamento da água. Um litro de óleo pode contaminar 20 mil litros de água. E apenas 7,5 % do óleo de cozinha é coletado corretamente”, conta Luiz Grilo, CEO e fundador da startup. Por meio do processo de reciclagem, a empresa transforma o óleo de restaurantes e padarias cadastrados em biodiesel, que é 80% menos poluente do que outros combustíveis.

A Residuall também desenvolveu, em parceria com o Senai, uma tecnologia para o aproveitamento de resíduos de mineração em eletroeletrônicos. Outro projeto que tem dado certo é uma composteira de resíduos orgânicos, que representam 70% do lixo descartado no mundo. A matéria orgânica gerada pela tecnologia alimenta uma horta vertical. “A gente sabe que cuidar do lixo do mundo está muito além de trabalhar os resíduos. É um rompimento de cultura. Temos que pensar que o descarte não é mais lixo, mas uma substância que pode ser reinserida no mercado e agregar valor”, enfatiza.

A plataforma está na fase de validação. “Só no mercado de óleo vegetal estamos chegando a 5 mil geradores de resíduos para atender Minas, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Até o fim do ano, queremos estar no mercado de papelão, vidro, óleo lubrificante e resíduo eletroeletrônico”, diz Grilo.


Rastreando o futuro

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Os sócios e fundadores da Getrak, Florêncio Guimarães e Frederico Menegatti.

A Getrak não é uma empresa nova. Há 10 anos, atua no segmento de rastreamento de carros e telemetria, unindo tecnologia de ponta e técnicas de Big Data (ou banco de dados) que a elevaram ao posto de maior base de veículos monitorados da América Latina. Então, por que ela ainda provoca uma intensa expectativa no mercado de tecnologia e inovação? A resposta é simples: o grande negócio da companhia mineira está à frente, no futuro.

De acordo com o Gartner, instituto de pesquisa e consultoria mundial em tecnologia, estamos em meio a uma grande revolução digital. Entre as principais tendências que estão prestes a transformar o mercado, a chamada internet das coisas (IoT, sigla para internet of things) será protagonista. Segundo esse conceito, tudo o que é parte da nossa rotina, do carro aos eletrodomésticos de uma casa, estará conectado e irá interagir com os usuários. E é esse novo e ainda insipiente ramo que a Getrak tem trabalhado para desbravar.

“Nossa ideia é conectar seu carro a seu celular e sua residência. A casa perceberá que o carro está chegando, e a gente conseguirá abrir o portão, acender a luz e informar quem está lá dentro. Esse tipo de tecnologia tem que permear a vida das pessoas de maneira subliminar, sem que seja preciso acionar um aplicativo. Esse é o grande desafio que temos aqui”, conta Frederico Menegatti, CEO e fundador. Tanta conexão gerará uma gama enorme de informações, que podem ser trabalhadas para melhorar a qualidade de vida dos usuários.

Relacionar esses dados de forma inteligente será o diferencial neste mercado, e é nisso que a Getrak está investindo hoje. Dos seus 50 funcionários, 35 compõem o corpo tecnológico da empresa, que conta com um laboratório só para testes de equipamentos. Pelo menos 27% do lucro da empresa é direcionado para a criação de novas tecnologias, um investimento alto que, segundo Frederico, valerá a pena. “Para 2016, é estimado um aumento de 25% no mercado mundial de Big Data, que já movimenta U$ 48 bilhões. No mercado de IoT, que está começando, a previsão de crescimento é de mais de 30% sobre os atuais US$ 6 bilhões.”

Enquanto as novas soluções seguem em teste, o carro-chefe da Getrak continua liderando suas receitas. Desde que foi fundada, a empresa soma 287 mil veículos conectados no Brasil. Tem clientes em sete países, prevê um crescimento de 50% neste ano e prepara sua expansão global, com a inauguração de mais dois escritórios na América Latina e um em Santa Bárbara, na Califórnia (EUA).


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Por: Carol B. Souza

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