Belo Horizonte, 19/04/2019

Criatividade e inovação: as principais armas das cervejas artesanais

por Redação | publicado em quarta, 27 de março de 2019



Para sócio da Way Beer, ao inserir diferentes ingredientes e processos, as cervejarias artesanais mostram não ter medo da rejeição, algo que as diferencia do mercado de cervejas industriais

A criatividade é uma das bases das cervejarias artesanais, sejam as brasileiras ou as de outros países. Para Alessandro Oliveira, sócio fundador da Way Beer, uma das principais fábricas de cerveja artesanal do país, o motivo para isso é bastante simples: o foco na qualidade do produto, sem medo de inovar e encarar rejeições. “A indústria, por outro lado, procura aumentar o volume de venda. Para as cervejas artesanais, não há preocupação com a rejeição. Toda e qualquer cerveja com mais qualidade terá mais personalidade e chance de gerar rejeição, o que não é uma preocupação”, explica.

Um dos exemplos desse estilo é a cerveja do tipo Sour, de paladar azedo, introduzida no país há cinco anos pela Way Beer. De acordo com Oliveira, a inovação na produção de cerveja não ocorre só na descoberta ou apresentação de novos estilos, mas em seu processo de produção. “A inovação sempre vai existir no meio cervejeiro. Existem tendências e caminhos seguidos na proposta de inovação, seja em estilos ou em fermentações. Além disso, técnicas e estilos acabam renascendo com as tecnologias atuais”, analisa.

Embora ainda seja um mercado menos evoluído do que em outros países, especialmente os Estados Unidos e as nações europeias, o intervalo para que novidades cheguem ao Brasil é cada vez menor. “Hoje, no Brasil, as cervejarias estão até mais avançadas do que o paladar do próprio consumidor. Existe um nicho de mercado, ainda muito pequeno, ligado às novidades lançadas”, explica o sócio da Way Beer, localizada na região metropolitana de Curitiba, um dos polos brasileiros em cerveja artesanal.

Para Oliveira, o mercado brasileiro ainda pode evoluir muito – tanto na capacidade de absorver novos estilos quanto no consumo. “É um mercado muito novo. O momento de consumo de cerveja artesanal ainda é diferente no Brasil do que em outros países. Ainda há uma valorização no ato de consumo, porque se trata de um produto com preço maior, enquanto em outros países é algo do dia a dia. O legal de fincar a bandeira de inovação, de estar na vanguarda, é que se trata de uma forma de atender esse nicho que se dispõe a pagar por esses sabores”, reflete.

Considerada uma das principais cervejarias artesanais do Brasil, a Way Beer conta com diversos rótulos em seu portfólio: dos considerados de entrada, como Premium Lager e Half Pilsen; as já consagradas, caso da Avelã Porter, Amburana Lager, American Pale Ale, Red Ale e a Witbier; além de 30 rótulos considerados premium, como a Brett IPA, a linha Sour Me Not, a Sou feia mas tô na moda, a Catarina e a Mandaçaia.

Em crescimento

O setor de cervejas artesanais cresceu 23% no ano passado em comparação a 2017, de acordo com o Anuário da Cerveja no Brasil, elaborado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Em 2018, ao todo, o país contava com 889 cervejarias, capazes de produzir 16.968 produtos – sendo que 6,8 mil foram registrados somente no ano passado. Ou seja, no ano passado, o mercado cervejeiro cresceu 23%, com a abertura de 210 novas fábricas – quase uma a cada dois dias no país.

As estimativas da Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva) apontam um crescimento de 29% para o setor em 2019. Se os números parecem positivos, eles poderiam ser ainda mais representativos. Estima-se que nem sequer 1% do total de consumo da bebida no país seja responsabilidade das cervejarias artesanais. Como comparação, nos Estados Unidos, um dos mercados mais consolidados do planeta, as estatísticas mostram que as cervejas artesanais representam perto de 13% do volume total de vendas.


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