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Membros do Circuito Gastronômico da Pampulha visitaram cidades do cerrado mineiro em uma inédita expedição gastronômica

por Redação | publicado em terça, 21 de agosto de 2018


BH, Confins, Vespasiano e Lagoa Santa recebem exposição e workshop sobre a gastronomia mineira

Um grupo de pessoas, formado por chefs e proprietários dos restaurantes participantes do Circuito Gastronômico da Pampulha e profissionais da área de comunicação, realizou uma viagem de três dias pelas cidades do cerrado mineiro para conhecer, pesquisar e aprender mais sobre os deliciosos sabores da culinária local que tanto encantaram e inspiraram Guimarães Rosa em seu célebre “Grande Sertão Veredas”, que será a temática da nona edição do evento.

Os viajantes passaram pelas cidades de Cordisburgo, Curvelo, Corinto, Três Marias, Pirapora e Várzea da Palma, além de seus distritos com acesso por estradas de terra, e tiveram a oportunidade de ver e experimentar os ingredientes mais usados na região e também de conversar com moradores e personagens da vida do cerrado.

Toda a aventura foi documentada em detalhes por meio de vídeos e fotos e será transformada na exposição “A Gastronomia no Cerrado Mineiro”, que circulará nas cidades de Belo Horizonte (entre 10 e 24 de setembro), Confins (26 de setembro a 08 de outubro), Vespasiano (10 a 21 de outubro) e Lagoa Santa (23 a 28 de outubro).O fotógrafo Nereu Júnior foi responsável pelo registro fotográfico da expedição, que conta com a curadoria do artista plástico Fernando Pacheco para seleção das imagens do acervo final. Já as filmagens foram produzidas pela Chapati.

“Inspirado na obra da fotógrafa MaureenBisilliat, iniciei a pesquisa para fotografar a expedição buscando o desafio de ‘escrever com a imagem e ver com a palavra’ - me aprofundando na obra de Guimarães Rosa e nas pesquisas acadêmicas que relacionavam o tema à gastronomia. Nessa aventura, juntamente com o olhar curioso e atento dos chefs e do apoio de toda equipe, tive a rara oportunidade de ouvir como as pessoas falam, o que pensam,testemunhar a narrativa, a paisagem, os hábitos alimentares e as características do povo do sertão de Rosa e pretensiosamente tentar traduzir um pouco desse universo por meio da produção fotográfica que resultou nessa exposição”, declara Nereu Júnior.

Segundo Marcelo Haddad, um dos organizadores e idealizadores do Circuito Gastronômico e também proprietário do Restaurante Paladino, o principal objetivo desta viagem foi proporcionar aos chefs e equipes de produção a oportunidade de conhecer de perto produtores, produtos, cidades e um ecossistema que, para muitos, era até então desconhecido mesmo estando tão perto de Belo Horizonte.

“Foi realmente um prazer - e também um desafio - poder proporcionar esta experiência aos participantes do circuito gastronômico. Essa expedição nos levou a fundo para poder pesquisar e conhecer melhor a gastronomia mineira e nos fez ‘viajar’ na criação e elaboração dos pratos. Tivemos um grupo muito heterogêneo formado por chefs de cozinha, produtores, fotógrafos, cinegrafistas, profissionais de impressa e publicidade e todos interagimos muito bem e trocamos ricas experiências dentro da vivência profissional de cada um”, comenta Marcelo.

Em outra ação do projeto, o chef Edson Puiati realiza o workshop “A Gastronomia em Minas” para os interessados em conhecer um pouco mais sobre este rico e vasto mundo que se encontra nas panelas e fogões de Minas Gerais. O horário é das 15h às 22h, com inscrições gratuitas e vagas limitadas. Para participar, basta preencher o formulário no sitewww.circuitogratropampulha.com.br, que dá direito a certificação digital. Em Confins será no dia 26 de setembro (quarta-feira), em Vespasiano (10 de outubro – quarta-feira) e em Lagoa Santa no dia 23 de outubro (terça-feira).

Um resumo da aventura

A primeira parada da expedição foi em Cordisburgo, para uma visita especial ao Museu Casa Guimarães Rosa e um mergulho em sua vida e arte e depois seguiram para Curvelo. Além da antiga Estação Ferroviária da Central do Brasil (EFCB), as grandes atrações foram os frutos típicos como Araticum, Mangaba, Jatobá e, em especial, o Pequi. O grupo conheceu e aprendeu muito com o pessoal do projeto Dedo de Gente, uma cooperativa com produção artesanal solidária que, entre outras coisas, faz geleias e licores com os frutos do cerrado.

De Curvelo foram para Corinto, onde conheceram a Fazenda Jatobá e seus proprietários: Arlindo e Adélia Almeida, que vivem do sustento da terra há 67 anos. Seu filho e atual responsável, Adalto Almeida, é chef de cozinha e implantou um sistema de integração para reaproveitamento para evitar desperdícios. Os viajantes experimentaram um churrasco fogo de chão com animais da fazenda, queijos e vegetais do sertão mineiro.

A próxima parada foi Andrequicé, cidade natal do icônico personagem de Guimarães Rosa, Manoelzão. Eles conheceram o Museu Casa Manuelzão, onde ele nasceu e viveu e também passaram pela Vereda São José, uma espécie de oásis do sertão com buritizeiros ao redor, e puderam conferir uma das maiores riquezas do local, que é a castanha do buriti.

Dali, seguiram para a Fazenda Santa Catarina, onde Guimarães Rosa passou com sua comitiva de 1952 e que ainda possui os mesmos proprietários da época. Fizeram uma parada rápida na cidade de Três Marias, onde almoçaram uma bela peixada de surubim à margem da represa e conheceram outras formas de apresentação desse peixe tão típico da região e seguiram para Pirapora. O jantar trouxe novas oportunidades de experimentar os ingredientes do cerrado como o pequi e a castanha de baru, além de peixes variados em diferentes formas de preparo.

Ao atravessar a ponte de madeira na cidade, chegaram a Buritizeiros, local onde conheceram Dona Maria que vive de colher castanhas de baru nos campos e aproveitar sua semente e sua casca, que por sinal é adocicada e muito bem aproveitada na produção de geleias, licores e recheio de bombons. O mercado local também mostrou como eles lidam com peixes secos e o grupo então seguiu para a beira do Rio São Francisco.

Após conhecerem a embarcação Benjamim Guimarães - que encantou a todos - partiram para o passeio pelo São Francisco em barcos menores e tiveram ainda a chance de ouvir as histórias do pescador local, conhecido por Moranga, que vive em uma casa barco no rio, de onde tira todo sustento de sua família. A última parada, antes de chegar em Belo Horizonte, foi visitar as ruínas de barra do Guaicuí, próxima do entroncamento do Rio São Francisco com o Rio das Velhas.

“Durante toda a viagem interagimos bem e nos divertimos, mas cada um estava também bastante focado em aprender mais e conseguir informações e elementos novos para criação de seus pratos. O resultado foi muito positivo e já vimos parte do material com fotos e depoimentos incríveis. Pessoalmente, foi uma experiência muito válida e já saí de lá com o prato do Paladino criado, que inclui ingredientes que experimentamos. Acredito realmente que as opções deste ano para o Circuito Gastronômico (para quem participou da expedição) serão bastante diferenciadas e surpreendentes”, complementa Haddad.

Os pratos elaborados com exclusividade pelos chefs dos restaurantes participantes do Circuito Gastronômico da Pampulha, com a temática do Grande Sertão Veredas, poderão ser apreciados no período de 10 de setembro a 28 de outubro nos principais estabelecimentos da região. Essas e outras informações do projeto podem ser obtidas nas mídias sociais circuitogastropampulha.


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