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Mitos e verdades sobre cicatrizes e queloides

por Redação | publicado em quarta, 07 de novembro de 2018



Queloide é hereditário? Toda cicatriz vira queloide? Sol ajuda a causar queloide? Conheça 10 fatos sobre o assunto

É praticamente impossível passar pela vida sem adquirir alguma cicatriz no corpo. Seja por causa de um traumatismo, uma queimadura ou cirurgia plástica, quase todos nós já passamos pelo processo de cicatrização. Segundo a dermatologista Gisele Viana, membro da Sociedade Brasileira de dermatologia (SBD), o processo de cicatrização é complexo e sempre vai deixar marcas na pele. “Ocorrem diversas etapas envolvendo processos de formação do coagulo, migração celular e formação de matriz extracelular (entre essas, o colágeno). Isso tudo vai gerar uma cicatriz na área lesionada”, explica.

De acordo com a especialista, o ideal é que a cicatriz formada seja fina, no mesmo nível da pele sadia e com a mesma cor da pele. “Porém, nem sempre isso acontece. Algumas pessoas podem desenvolver uma cicatriz hipertrófica ou um queloide. Isso gera desconforto e abala a autoestima do paciente”, explica.

Gisele esclarece que há algumas diferenças básicas entre cicatriz e queloide. “Enquanto a cicatriz hipertrófica respeita a ferida original, o queloide cresce de modo progressivo e ultrapassa os limites da lesão, provocando coceira, dor e desconforto. Diferente da cicatriz hipertrófica, o queloide pode incomodar e crescer durante muitos anos”, explica. Segundo ela, somente um dermatologista poderá realizar o diagnóstico correto e indicar o tratamento ideal. “O tratamento não visa apagar a marca totalmente. Mas pode interromper o processo de crescimento, melhorando a aparência da cicatriz e dos sintomas relacionados”, orienta.

Para aprofundarmos um pouco mais sobre o assunto, Gisele Viana esclarece 10 mitos e verdades. Confira:

1. Todo trauma vai virar um queloide.

Mito. Alguns fatores, como a carga genética, podem influenciar no surgimento do queloide. No entanto, é falso afirmar que, mesmo em pessoas predispostas, todo trauma vai, necessariamente, se transformar em queloide.

2. Pessoas de pele morena têm mais tendência a desenvolver queloide e cicatriz hipertrófica.

Verdade. Não se sabe o motivo exato, mas há grupos de pessoas mais predispostas ao desenvolvimento do queloide, como negros e asiáticos. Em certas tribos da África, aliás, os jovens passam por rituais com o objetivo de desenvolver queloides, tornando a pele parecida com um crocodilo, o que os valoriza socialmente

3. O Tratamento do queloide é doloroso e demorado.

Mito. É fato que os resultados não são imediatos, mas isso não significa que será doloroso. São associados vários tratamentos para chegar ao melhor resultado. Injeção de corticoides, compressão e curativos, lasers e radioterapia são apenas alguns deles. O tipo de tratamento e a duração varia caso a caso e só o dermatologista pode dar o direcionamento correto.

4. Sol pode causar queloide em uma cirurgia recente.

Mito. O que pode ocorrer é a hipercromia (pigmentação celular excessiva) ou o escurecimento da cicatriz ou do queloide por causa do sol. Geralmente, os cirurgiões e dermatologistas recomendam proteger a área submetida a cicatrizes ou lasers do sol para que a aparência do local não seja comprometida.

5. Queloide é hereditário.

Verdade (em partes). É comprovado que certas famílias são mais propensas a formar queloides e o histórico familiar deve ser levado em consideração. Entretanto, esse único fator não garante que a pessoa desenvolverá o problema.

6. É impossível saber se terei queloide.

Verdade. Não há nenhum tipo de exame capaz de prever o surgimento da queloide após uma cirurgia ou qualquer outra situação. Geralmente, a pessoa só descobre que possui tendências a desenvolver o queloide depois que sofre a lesão na pele. Uma boa opção é procurar acompanhamento dermatológico antes de se submeter a uma cirurgia plástica ou tatuagem, por exemplo.

7. Queloide só surge após uma cirurgia ou lesão com ferimento profundo.

Mito. Qualquer lesão, por menor que seja, pode dar origem a uma queloide. O queloide pode surgir até mesmo no furo da orelha ou após herpes ou catapora.

8. Quem já teve queloide deve evitar traumas desnecessários, como furar a orelha.

Verdade. Obviamente, a pessoa não deve se recusar a passar por um procedimento cirúrgico indicado por um médico. Por exemplo, para remover um sinal suspeito ou um câncer de pele, ou para fazer uma biopsia indicada para diagnosticar uma lupus ou psoríase. A saúde sempre é prioridade. Apenas pense bem antes de submeter-se a uma cirurgia por razões unicamente estéticas ou antes de fazer uma tatuagem. Caso surja um queloide, você pode não se satisfazer com o resultado final.

9. Se bem tratada, uma cicatriz hipertrófica ou queloide pode desaparecer completamente.

Mito. É possível sim melhorar o aspecto de cicatrizes hipertróficas e, quase sempre, melhorar o aspecto de queloides. Porém, não é possível apagar uma cicatriz da pele e não existe um tratamento universal que funcione em 100% dos casos. Felizmente, há vários tratamentos que, isoladamente ou associados, podem levar a uma melhora de quase todas as lesões.

10. Alguns lugares do corpo possuem melhor cicatrização.

Verdade. Apesar de não ser uma regra, algumas regiões do corpo, como peitoral mandibular, são mais susceptíveis a ter queloides e cicatrizes hipertróficas. Já a região do pescoço, antebraços e pálpebras têm uma melhor cicatrização.

Sobre Gisele Viana

Graduada em medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Gisele Viana de Oliveira é dermatologista Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia; membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica e American Academy of Dermatology (International Fellow). É mestre e doutora pela UFMG e foi post doctoral Fellow pela UTMB (Shriners Burns Hospital, University of Texas Medical Branch) .


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