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Vem aí o segundo tempo da disputa entre Dilma e Aécio

por Redação | publicado em terça, 17 de abril de 2018


Agora, para o Senado

Carlos Lindenberg

A menos que o senador Aécio Neves atenda aos pedidos de seu colega Antonio Anastasia – não entrando na chapa majoritária que concorrerá ao Governo do Estado, na condição de candidato à reeleição ao Senado –, o país poderá
assistir em outubro (os mineiros de maneira privilegiada) à reedição do embate Dilma Rousseff versus Aécio Neves. Este será similar àquele que ocorreu em 2014, com vitória de Dilma, numa eleição em que o derrotado não a reconheceu, a despeito de haver cumprimentado a vitoriosa na noite daquele domingo, que depois se revelou fatídico.

Com efeito, estimulada pelo ex-presidente Lula – que, cercado por populares no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, dava ao país uma demonstração jamais vista de força política e de senhor absoluto das suas
últimas horas de liberdade, na histórica tarde de sexta-feira, dia 6 de março –, a ex-presidente Dilma Rousseff surpreendeu o mundo político mineiro e transferiu seu título eleitoral para Belo Horizonte, colocando-se em condições de ser votada nas eleições de sete de outubro deste ano para o Senado. Por lá, aliás, estão o autor do golpe que a derrubou em 2015, Aécio Neves, e o relator do processo que a tirou do poder, o senador Antonio Anastasia.

A diferença agora é que, candidata, Dilma poderá, a depender do correr dos dias, não ter que disputar contra seu algoz, Aécio Neves. Isso porque, para ser candidato do PSDB ao Governo de Minas e, assim, evitar uma diáspora em seu partido, o senador Anastasia teria imposto, entre outras condições, que ele e mais ninguém montaria a chapa majoritária ao governo mineiro, estando nisso um recado claro de que ele não quer seu antigo patrono Aécio Neves na chapa com que tentará voltar ao Governo do Estado.

A decisão de Dilma, na verdade, não surpreendeu apenas os mineiros, que já vinham observando de longe os sinais da ex-presidente nesse sentido. Surpreendeu o país. Afinal, mineira de nascimento, Dilma fez sua carreira política no Rio Grande do Sul, onde foi secretária de Estado de Minas e Energia e de onde foi alçada à mesma posição no governo do presidente Lula. Ademais, naquela sexta-feira, último dia do prazo para a mudança do domicílio eleitoral, o país assistia ao vivo e em cores o ex-presidente Lula enfrentar (sem demonstrar resistência física, mas apenas política) a ordem de prisão do seu mais recente carcereiro, o juiz Sérgio Moro – estrela e inspirador da ditadura da toga que passou a dominar a justiça do país sob a capciosa doutrina de que é preciso moralizar o país (nem que seja prendendo e violando direitos de apenas um dos lados do espectro político brasileiro).

Pois Dilma só não será candidata mesmo ao Senado em outubro se o destino lhe preparar alguma surpresa. O pretexto, para não revelar desde já a estratégia aos adversários, é dizer desde logo que ela virá cuidar da sua mãe, de 84 anos. A história, contudo, é outra. Dilma vai compor a chapa com o governador Fernando Pimentel, que concorrerá à reeleição, entrando para disputar o Senado muito provavelmente ao lado da deputada do PC do B, Jô
Morais, cabendo ao deputado estadual emedebista e presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Adalclever Lopes, a condição de vice na dobradinha com Pimentel – ou ainda, numa tentativa de impor a vitória da chapa no
primeiro turno, indo Adalclever compor com Dilma para o Senado, arrastando assim o peso do MDB para o embate.

A dúvida é se Aécio se submeterá aos critérios impostos por Anastasia para tentar voltar ao Governo de Minas, numa disputa que ele sabe ser das mais difíceis, até porque terá que explicar aos mineiros como a gestão tucana deixou o Estado em situação financeira tão aflitiva. Aécio, como se sabe, foi quem “inventou” Anastasia, fazendo dele seu secretário de múltiplas funções e, depois, seu vice-governador. Por isso mesmo, o que se imagina em Minas é que Anastasia, no fim das contas, não terá como não colocar Aécio em sua chapa. Ainda assim, Antonio sofre o risco do ser “contaminado” pela radiatividade de que o senador mineiro é portador, desde que foi flagrado recebendo uma propina de R$ 2 milhões do empresário Joesley Batista, e o país inteiro ver um de seus primos correndo com uma mochila de dinheiro nas costas, no maior vexame jamais patrocinado por um político mineiro.

O problema é que Aécio poderá não digerir a ideia de sua cria e forçar entrar na chapa, na condição de candidato à reeleição ao Senado. Para evitar disputa entre dois aliados, mais do que isso, entre criador e criatura, há em Minas, entre os tucanos, a possibilidade de Aécio ser convencido a disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados, para não ficar inteiramente sem foro privilegiado – ou até mesmo de ficar sem disputar qualquer mandato, na expectativa de que a Lava Jato cumpra o que vem fazendo até aqui, ou seja, punindo quase que exclusivamente os adversários do PSDB, ainda que, para tanto, faça o que vem fazendo, como o que fez com o ex-presidente Lula, condenado sem provas e numa celeridade jamais vista na justiça brasileira.

Mas, se nada disso ocorrer e Aécio cismar mesmo de tentar voltar ao Senado, aí teremos, em termos regionais, a reedição do embate entre Dilma e Aécio. Nessa disputa só haverá um vencedor, como foi em 2014, em que a então presidente derrotou o senador mineiro. Este, por sua vez, não admitiu a derrota e “botou fogo no palheiro”, para usar uma expressão muito apreciada por outro tucano de bico vermelho, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Até aqui, pesquisas internas e apenas para uso e orientação do governo mineiro indicam uma vantagem considerável da ex-presidente sobre seus possíveis adversários, entre os quais o senador Aécio Neves. Este, no entanto, desponta atrás de Dilma, mas ainda numa etapa em que as possíveis candidaturas sequer são inteiramente conhecidas. De qualquer forma, os dados indicam sinal amarelo para Dilma, que tem sido estimulada pelo governador Fernando Pimentel. Este, aliás, sonha com uma tripla vitória sobre os tucanos em Minas: a sua reeleição e a eleição de Dilma e do deputado Adalclever Lopes (MDB) para o Senado, no que os mineiros chamam de vitória de barba, cabelo e bigode.

VAMOS FALAR SOBRE AS EEIÇÕES DE 2018?

Vivemos um grande momento para os jornalistas políticos respeitados. Eles serão o filtro contra a desinformação diante de milhares de conteúdos grotescos (fake news) postados em redes sociais.

Nesta matéria de capa, trouxemos para você, leitor, opiniões e análises sobre o cenário político brasileiro. Para tanto, conversamos com Carlos Lindenberg e Orion Teixeira – dois grandes jornalistas mineiros especializados em política. Lindenberg é jornalista da Band Minas, do Metro-BH, da Rádio Itatiaia e desta revista. É ainda autor do livro Quase História – Bastidores da Política Mineira e presidente do Centro de Cronistas Políticos e Parlamentares (Ceppo). Teixeira, por sua vez, é colunista político do Portal BHAZ, da TV Bandeirantes e da Rádio Band News BH, além de manter um blog sobre a cobertura política. Há 12 anos apresenta e dirige o Pensamento Jurídico, da TV Comunitária e da TV Justiça, programa nacional no qual discute o direito e a Justiça sob a ótica do cidadão. Nesta entrevista, com perguntas idênticas, ambos compartilharam conosco um pouco sobre suas visões e perspectivas para o futuro político do Brasil.

REVISTA EXCLUSIVE: Em 2014, já tivemos uma eleição em que a internet foi usada como palanque para a maioria dos eleitores. Para vocês, quais as expectativas para este ano?

CARLOS LINDENBERG: Assim como em 2014, acho que, em 2018, a internet será usada em todo o seu limite, não só pelos candidatos como também pelos grupos que se formam em apoio a esses candidatos. E mais ainda pelos hackers. Basta ver como foram as eleições norte-americanas, em que venceu Donald Trump e até hoje se apura se houve espionagem ou não na campanha de Obama – ou na dele mesmo, com a ajuda de espiões russos.

ORION TEIXEIRA: Continuará sendo uma guerra suja pela qual você não constrói nada, apenas ajuda a descontruir reputações. Não forma opiniões, somente reforça de quem as tem; não ganha votos, pode tirar tão somente.

“A internet será usada em todo o seu limite.”

Carlos Lindenberg

RE: Conseguimos traçar o novo perfil do eleitor brasileiro? Ele será mais maduro para votar este ano?

CL: Penso que o eleitor brasileiro mudou um pouco o seu perfil em relação ao de 2014, graças à difusão da informação. No entanto, quem vai continuar elegendo o presidente da República será a massa dos que ganham até três salários mínimos ou um pouco mais. Nisso, o que determina é a capacidade de consumo do eleitor, e não a sua opção ideológica. Esse será o fator determinante.

OT: Apesar de insatisfeito, indignado e enraivecido, continuará buscando alguém que inspire credibilidade, confiabilidade e seriedade, ainda que seja político. Não acredito em uma renovação sincera, porque alguns, ou muitos, querem aqueles que estão fora da política e não têm experiência alguma para a administração pública e o exercício qualificado da política.

“Quem vai continuar elegendo o presidente da República será a massa dos que ganham até três salários mínimos ou um pouco mais.”

Carlos Lindenberg

RE: Vimos uma disputa partidária crescente nas redes sociais. Podemos acreditar que essa disputa será transferida para as ruas?

CL: As redes, na verdade, são uma espécie de caixa de ressonância do que pensa uma camada do eleitorado, sobretudo da classe média. Elas ainda não expressam a voz das ruas. Mas, de qualquer forma, com o país conflagrado como está, é natural que uma acaba exprimindo o que a outra pensa, de forma que espero uma campanha das mais acirradas, mais ainda do que a de 2014, com possibilidade de graves consequências.

OT: Sim, o clima de ódio, de torcida organizada, vai se espalhar pelos quatro cantos, mas não terá influência no voto a favor. Quem é contra isso continuará assim; quem é a favor, também. Não muda o cenário. O clima de ódio deixa as pessoas imperdoáveis.

“O clima de ódio deixa as pessoas imperdoáveis.”

Orion Teixeira

RE: A sociedade observa as redes sociais, que alimentam o ódio. O país está dividido (esquerda x direita, “raiz x Nutella”)?

CL: Acho aqui que há uma inversão. Não são as redes que incitam o ódio, é o ódio que está na sociedade, principalmente na classe média, que alimenta o ódio nas redes sociais. Estas, por sua vez, retroalimentam o ódio que está na sociedade. A maioria do país, a grande parte, não participa dessa guerra nas redes. É mais da classe média. O “paisão” está fora dessa guerra, quer é trabalho, emprego, um modo de sobreviver.

OT: Sim, a divisão permanece, dificultando a pacificação e a convergência para um nome de entendimento. Aquele que for eleito, apesar da legitimidade da conquista, terá dificuldades para governar e manter a aprovação.

“O ‘paisão’ está fora dessa guerra, quer é trabalho, emprego, um modo de sobreviver.”

Carlos Lindenberg

RE: Vocês acreditam que o discurso agressivo terá espaço ativo em 2018? Teremos a falada “carnificina” na campanha?

CL: Não tenho dúvida de que o discurso em 2018 será mais agressivo, mais contundente do que foi em 2014. Até porque, o radicalismo aumentou com a divisão do país a partir do impeachment da presidente Dilma Rousseff, assim como aumentou a insatisfação popular com o desempenho da economia, com o crescimento do desemprego, com o aumento dos escândalos na política. Basta ver que o ex-presidente Lula está preso, o atual presidente responde a uma série de investigações; o senador Aécio Neves, também; e a maioria da elite política do país está sob suspeita.

OT: Sim, será um combate sujo e sem tréguas. Quem sobreviver chegará ao segundo turno, mas sairá na frente quem fugir desse confronto e for mais propositivo.

“A maioria da elite política do país está sob suspeita.”

Carlos Lindenberg

“Sairá na frente quem fugir desse confronto [da ‘carnificina’ na campanha política] e for mais propositivo.”

Orion Teixeira

RE: Quais características básicas um candidato deve adotar para conquistar o eleitor, já que a “carnificina” entre os concorrentes pode ser o tom da campanha em 2018?

CL: Não tenho uma receita para um candidato vencer as eleições presidenciais. Mas acho que o país está tão cansado dessa disputa que um candidato que conseguir conciliar geração de empregos com a pacificação do Brasil terá boas chances de ganhar a eleição.

OT: Deve conquistar a confiança por meio da credibilidade, seriedade e propostas sustentáveis e viáveis. Mas para isso precisa, antes, ser conhecido e ter tempo de TV no horário gratuito.

RE: Qual a postura ideal para o novo presidente do Brasil?

CL: Em primeiro lugar, acho que o país está cansado. Há uma crise política, uma crise econômica, uma crise ética, de forma que o novo presidente, independentemente de quem vencer as eleições, deveria adotar uma postura mais serena, de diálogo com a nação. Na verdade, o que o novo presidente deveria fazer seria uma conciliação entre o Estado e a nação. Os dois estão brigados, e é hora de se refazer essa união. Quem quiser conquistar o voto deve, em primeiro lugar, fazer propostas claras ao eleitor. Ou seja, não basta um discurso capista, mas ter conteúdo, mostrar que conhece os problemas do povo e do país. Nesse sentido, os debates pela televisão serão muito importantes. De alguma forma, são esses debates que costumam definir as eleições. E quem não tiver conteúdo dificilmente se sairá bem na eleição. Soma-se a isso o fato de que os candidatos agora não terão dinheiro para esbanjar, porque estão proibidas as doações de empresas, de forma que prevalecerão o fundo partidário e o fundo especial e específico para as eleições. Com isso, as alegorias dos marqueteiros estarão limitadas, o que é bom, porque os candidatos terão que aparecer como eles são de fato, e não como os marqueteiros os pintam.

OT: Em primeiro lugar, a legitimidade que falta ao atual; depois, manter a credibilidade e pactuar nova agenda com os brasileiros, com transparência, coerência e diálogo.

“As alegorias dos marqueteiros estarão limitadas, o que é bom, porque os candidatos terão que aparecer como eles são de fato, e não como os marqueteiros os pintam.”

Carlos Lindenberg

RE: Com milhões de notícias falsas (fake news), qual discurso o candidato deverá adotar para mostrar sinceridade ao eleitor?

CL: Sem dúvida, as notícias falsas (fake news) serão de largo uso nestas eleições. É um fenômeno novo para o qual a Justiça Eleitoral terá que dedicar especial atenção. Vejam o caso das últimas eleições americanas. E é só ver o que ocorre por aqui. Não viram recentemente o que fizeram com o apresentador Chico Pinheiro, da Rede Globo [citação referente aos supostos áudios vazados do jornalista Chico Pinheiro com análise sobre a prisão de Lula]? São ações criminosas para as quais a Justiça deve ter especial atenção.

OT: A coerência e a credibilidade que conquistar em outros meios.

“Historicamente, os jornais eram alinhados com os partidos políticos.”

Carlos Lindenberg

RE: O jornalismo já foi imparcial na política?

CL: Acho que não, com algumas exceções talvez. Historicamente, os jornais eram alinhados com os partidos políticos. Com o golpe de 64, os veículos que não foram extintos passaram a fazer parte do esquema governista e, com isso, nós tivemos uma pasteurização do noticiário político, com exceção de alguns articulistas, como o Carlos Castelo Branco, o Jânio de Freitas e mais um ou outro. Com a redemocratização, houve um período de aeração do noticiário político. Mas, depois da chegada do PT ao poder, o jornalismo político passou a fazer oposição ao governo de tal forma que foi fundamental para o impeachment da presidente Dilma e, depois, para a sustentação do governo Temer, que aumentou consideravelmente as suas verbas para as grandes redes de tevê e de jornais. Numa situação dessas, é difícil acreditar que haja, de fato, um jornalismo saudável, a despeito da internet, que abriu espaço para blogs independentes.

OT: Nunca foi, mas camuflava e, agora, assumiu publicamente que tem um lado.

RE: Lindenberg, em 2014, você previu a vitória da ex-presidente Dilma Rousseff, quando alguns importantesinstitutos de pesquisa apontavam a vitória de Aécio Neves. Você considera esses modelos de pesquisa de opinião pública confiáveis?

CL: De fato, consegui antecipar em 2014 a possibilidade de vitória da presidente Dilma. Claro que me orientei muito pelos institutos. Mas há institutos e institutos, assim como há pesquisas e pesquisas. Há uns 20 dias das eleições, fiz uma palestra na Federação das Indústrias de Minas (Fiemg) e sustentei com convicção, para a surpresa de muitos, que Dilma ganharia. Um vice-presidente me mostrou uma pesquisa daquele dia, dando a vitória de Aécio. Mas eu não confiava no instituto em que ele se baseava e, diante do que eu havia desenhado, checando outros números, sustentei a vitória de Dilma, inclusive em Minas, com Fernando Pimentel, que depois se confirmou. Mas não basta entender de estatística para isso. É preciso ter feeling.

“Os institutos perdem a credibilidade, porque não repensam seus métodos e técnicas para enxergar a realidade.”

Orion Teixeira

RE: Orion, em 2016, você previu a vitória de Alexandre Kalil, quando importantes institutos de pesquisa apontavam a vitória de João Leite. Você considera esses modelos de pesquisa de opinião pública confiáveis?

OT: Os institutos perdem a credibilidade, porque não repensam seus métodos e técnicas para enxergar a realidade. Pesquisas quantitativas só apontam placares eventuais e voláteis. Por exemplo, Kalil tinha 2% e foi ao segundo turno; depois, eleito; Anastasia tinha 8%, em 2010, e foi eleito no primeiro turno. Ou seja, os pesquisadores não enxergaram a realidade que meses depois se instalou. Faltam mais pesquisas qualitativas que apontem diagnósticos.

“É bem verdade que, gostem ou não, o deputado Bolsonaro vinha em segundo.”

Carlos Lindenberg

RE: Candidatos ligados à velha política terão alguma chance nas eleições de 2018?

CL: Acho que representantes da velha política terão chance sim, desde que tenham conteúdo, credibilidade e tempo de tevê. O melhor exemplo disso está no desempenho do ex-presidente Lula que, até ser preso – agora não se sabe –, vinha liderando as pesquisas pré-eleitorais. É bem verdade que, gostem ou não, o deputado Bolsonaro vinha em segundo. Mas isso mostra que há espaço ainda para alguém que, mesmo sendo tipificado como da velha política, pode ter chance em outubro. Agora, uma coisa é eleição com Lula e outra coisa e eleição sem Lula. É preciso ver como ficará a situação dele: se Lula poderá ser candidato ou não; se ele indicará alguém do seu partido ou não; se não for alguém do partido dele, quem ele indicará de outro partido. O certo é que Lula, preso ou não, será um grande eleitor dessa campanha, não sendo ele o candidato, óbvio.

OT: O quadro está complexo, confuso e fragmentado, especialmente após a injusta prisão e sem fundamento jurídico do favorito na disputa. O que vai prevalecer não é o novo ou o velho, mas aquele que, sendo mais conhecido e tendo tempo de TV, conseguir fazer “aliança” com o eleitor e apresentar-se confiável e propositivo.

“Deve-se fazer ‘aliança’ com o eleitor e apresentar-se confiável e propositivo.”

Orion Teixeira

RE: A marcante vitória de Alexandre Kalil em BH, eleito sem caciquismo político de grandes partidos, mostrou uma nova tendência do eleitorado?

CL: Penso que a vitória de Kalil para a PBH em 2016 foi um caso à parte. Kalil tem muito carisma, veio de uma grande administração no Atlético Mineiro e fez uma campanha voltada para os mais pobres, sem abandonar inteiramente a classe média. Fugiu do clichê do político profissional, até porque seu adversário, João Leite, tinha esse perfil. Kalil contou com o erro estratégico do então prefeito Márcio Lacerda e ganhou a eleição. Não sei se essa performance se repetirá, a despeito de vir fazendo uma administração sem maiores solavancos.

OT: Sim, o eleitor está mais crítico e exigente, mas, em eleições de dimensões nacional, como a presidencial; e a continental, como a de Minas, ele terá comportamento diferente. No caso estadual, por exemplo, se identificará mais com as questões locais e mais próximas dele; no plano nacional, terá visão menos compromissada, variando da crítica à utopia.

“Alexandre Kalil fez uma campanha voltada para os mais pobres, sem abandonar inteiramente a classe média.”

Carlos Lindenberg

RE: Vocês, pelo seu histórico no jornalismo político, são vistos como gurus nesse ambiente. No atual cenário de indefinições, de acordo com as suas previsões, em quem vocês apostariam para o Governo de Minas?

CL: A política é essencialmente dinâmica, ainda mais num país em crise como o nosso. Em Minas, a despeito da entrada do senador Antonio Anastasia em cena, o favorito ainda é o governador Fernando Pimentel – a menos que ele não consiga resolver esse problema salarial do funcionalismo ou não consiga reeditar a aliança com o MDB. De forma que, se as coisas continuarem nesse ritmo, Pimentel deverá ganhar a eleição. Se Lula for candidato, com tudo que pesa contra ele, Pimentel pode ganhar no primeiro turno. Mas esse é um quadro de hoje. É sempre bom se lembrar do ex-governador Magalhães Pinto, para quem a política é como uma nuvem: “Você olha, e ela está de um jeito; volta a olhar, e já mudou de forma”.

OT: O quadro sucessório mineiro está mais próximo de uma definição, na qual Antonio Anastasia pode ameaçar a reeleição de Pimentel.


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