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Um passeio de balão é uma experiência fantástica e única, seja pela paisagem ou pela forma de voar. Um ponto em comum na maioria dos voos é que temos que acordar bem cedo. O motivo é que, logo após o nascer do sol, a natureza está mais estável e mais fria, além de mais bonita, com uma neblina baixa e um ar de mistério.

Após a decolagem, não sentimos turbulência nem rajadas de vento, pois estamos sempre dentro da camada de ar. O voo nos remete a um filme 3D em alta definição. A sensação proporcionada pelo passeio, sempre suave e seguro, traz-nos paz e harmonia. Os sobrevoos pelos campos, riachos, e o contorno ao topo de árvores nos remetem ao perfeito equilíbrio com a natureza.

Bagan, Myanmar – Ásia

Quando chegamos ao local, ainda escuro, fomos recebidos por uma equipe de balonistas ingleses. Eram seis balões, todos vermelhos, com uma novidade que eu não tinha visto antes nos outros voos: em cada balão, na parte de cima, presa por um suporte, há uma câmera que fotografa e filma todos os detalhes. A paisagem é fantástica.

Passamos por cima de 5 mil templos, que estão ali desde o século 11, de todos os tamanhos, desde pequenas estupas a grandes construções. Enquanto sobrevoávamos, pudemos observar os monges envoltos em mantos laranja, meditando ou simplesmente caminhando nesse cenário impar.

Destaque: a neblina que envolve os templos e o sol se misturam com a tonalidade laranja do ambiente árido, criando um panorama de sonho. 

Jaipur – Índia

Levantamos voo em um descampado ao lado do Forte de Ambar, um monumento com estilo único – uma mistura da cultura muçulmana e hindu, construído pelo marajá Man Singh, do clã Kachhawa de Ambar. Tratando-se de Índia, a equipe para a montagem dos balões era uma das maiores que já vi. Nesse passeio, éramos três balões e uma infinidade de ajudantes, que vez ou outra eram interrompidos pelos moradores locais que davam opiniões e se ofereciam para ajudar na preparação. Havia também muitas crianças a nossa volta, que acenavam e, com grandes sorrisos, sonhavam em algum dia poder fazer o passeio. O voo por cima do forte é algo magnífico, e o pouso uma atração à parte, pois voamos sobre uma vila e fomos recebidos com vários aplausos da comunidade local.

Destaque: seguir os elefantes coloridos serpenteando a subida do Forte – os elefantes são adornados e pintados com diversas cores, e os turistas sobem neles para chegar ao topo do Forte.

Capadócia – Turquia 

Um dos voos mais impressionantes. Sobrevoamos a paisagem lunar do vale da Capadócia, uma formação rochosa na qual os cristãos se esconderam das perseguições religiosas durante o Império Romano. É um dos locais de turismo de balão com a maior quantidade de voos simultâneos. As equipes são altamente profissionais e tudo funciona com muito primor. As pessoas são divididas em grupos: um VIP, com até, no máximo, oito pessoas no balão (neste, têm-se um voo um pouco mais longo e com a saída de um ponto estratégico, do qual se pode ver os outros balões levantando); e outro normal, com até 18 pessoas no mesmo balão.

Destaque: levantar voo com mais de 70 balões juntos em um cenário ímpar é indescritível.

Cairns, Austrália – Oceania

Na região perto de Kuranda, onde vamos de trem Maria Fumaça desde  Cairns, a paisagem é muito rica. Um verde intenso com árvores bem grandes numa floresta na qual ainda habitam os aborígenes, que hoje são bem integrados na sociedade. Eles vendem até CD com as suas músicas. O voo é organizado por uma empresa da Austrália. Ao lado dos ingleses, os australianos estão entre os maiores controladores de voos de balões pelo mundo. O voo é feito com cinco balões, em cima de uma vegetação natural diversificada.

Destaque: a riqueza da flora australiana.

Napa Valey, Estados Unidos – América

No Napa Valey, em uma região onde a paisagem de planícies e pequenas colinas é cortada pelos vinhedos, foi um dos únicos passeios que fiz na parte da tarde, o que, dependendo da região, também pode ser feito. Foram dois balões e um passeio cheio de emoções. Na hora de aterrissar, a cesta quicou e ficamos de lado. Mas, no final, tudo bem. Passamos no teste e aterrissamos com emoção. A visão dos vinhedos é muito bacana.

Destaque: a cor das plantações de uvas misturada com grandes emoções – e um brinde ao prazer de voar em um balão.

Seringuete, Tanzânia – África

Saímos do lodge de madrugada, como de costume, e vimos no caminho vários hipopótamos do lado de fora da água – cena que, normalmente, só podemos ver à noite devido ao calor e à pele muito fina dos animais, que os obrigam a permanecer durante o dia sempre debaixo d’água. Fiquei impressionado com a destreza deles para correr e subir um barranco. Por isso, nunca devemos subestimar um hipopótamo.

Nesse dia, o voo foi com quatro balões. A subida foi a mais diferente que já fiz, pois, em vez de entrar no cesto já na vertical (como em todos os outros voos), entramos com o cesto na horizontal e ficamos praticamente deitados no chão, dentro do cesto. À medida que o balão foi enchendo, fomos, aos poucos, ficando na posição correta, até começarmos a levantar voo. Uma sensação meio extravagante. Outra característica é que o voo é feito numa altura bem mais baixa, a cerca de 300m do chão, ao invés dos 800m a 1.300m dos voos regulares. Isso, para podermos observar os animais mais de perto.

Destaque: descer a 150m de uma família de leões e ter que sair do cesto – o ranger (guia da reserva) sabe perfeitamente onde podemos andar sem problemas, mas devo confessar que o medo de estar tão próximo dos felinos bate forte.

 

Borgonha, França – Europa

Era domingo de Páscoa e, ao contrário dos outros voos, que têm uma equipe grande de pessoas para preparar o balão e ver todos os detalhes do voo, tínhamos somente três pessoas para a organização. Era um dia nublado, e levantamos voo – o que é incomum, já que, geralmente, só com o céu bem azul os voos são feitos. Mas a equipe francesa (de três pessoas, para comandar dois balões) corria de um lado para o outro a fim de que tudo desse certo.

Assim que recebemos o ok para levantarmos voo, um dos monitores veio de carro, avisando-nos que a neblina era somente no local onde estávamos e que, logo depois daquela barreira de nuvens, o céu estaria limpo  e o voo seria seguro. Com uma equipe tão reduzida, tive que ajudar a encher os balões. Foi uma experiência boa, pois participar de todo o processo faz com que você tenha uma percepção melhor de como tudo funciona.

Realmente eles tinham razão: o voo ocorreu sem nenhum problema. Ao passarmos por aquela camada pequena de nuvens… Voilá! Céu azul. O problema foi descer, pois, como a região tem muitas construções, demoramos um pouco para achar um ponto ideal.

Destaque: voar por cima das casas das famílias no dia de Páscoa – as pessoas saíam de casa para nos desejar “feliz Páscoa” e convidavam-nos para tomar chocolate.

Leia na integra edição 25:

Em breve aqui no site a revista em PDF.

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Por: Flávio Géo

Foto: Divulgação

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