Belo Horizonte, 28/11/2021

A inflação volta a ser tema principal na economia

por redacao | publicado em quinta, 18 de novembro de 2021



POR Gabriel Branco - Formado em administração de empresas pelo CEFET- MG e assessor de investimentos na 3A Investimentos

A inflação, velha conhecida dos brasileiros, voltou a ser tema principal nas rodas de conversas sobre economia. O assunto está em alta devido ao elevado patamar do indicador acumulado nos últimos meses. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 8,24% no ano e 10,67% nos últimos 12 meses. No mês de outubro, o índice apresentou uma variação de 1,25%, maior nível para o mês desde 2002. Os nove núcleos que compõem o IPCA subiram, com ênfase para o grupo de transportes que subiu 2,62% devido à elevação nos preços dos combustíveis, e o de vestuário que aumentou em 1,80%. Países desenvolvidos estão vivenciando situações similares, apesar de historicamente não conviverem com esse problema.

Nos Estados Unidos a disparada da inflação chegou a 6,2% nos últimos 12 meses, maior alta em 31 anos. Segundo o Bureau of Labor Statistics, o principal vilão dos americanos foram os combustíveis, que tiveram uma alta de 49,5% nos 12 meses atrás. Na zona do euro não está sendo diferente, a alta do índice se igualou ao recorde histórico registrado em 1977. Atualmente, a inflação no velho continente se encontra em 4,1% na base anual. Em parte, a inflação que vem sendo registrada em vários países está associada ao que consideram ser a maior injeção fiscal da história mundial, de US$ 9 trilhões (segundo o FMI), medida adotada com o objetivo de amenizar os efeitos da pandemia na economia. Dado o atual cenário, a preocupação em manter o poder de compra se intensifica, fazendo com o que os indivíduos procurem alternativas para se protegerem dos choques inflacionários.

Pelo lado do investidor, os produtos indexados à inflação possuem maior atratividade uma vez que entregam a variação do IPCA acrescida a uma taxa prefixada estabelecida. Devido ao desenvolvimento do mercado financeiro, é possível encontrar diversas opções como: Títulos Públicos, Emissões Bancárias (CDBs, LCIs, LCAs) e Crédito Privado (CRIs, CRAs, Debêntures, etc.). Utilizar aplicações em Renda Fixa como estratégia para se proteger contra a inflação, contribui para a previsibilidade dos retornos da carteira, uma vez que a remuneração é acordada no momento da aplicação. Um ponto de atenção, que não é do conhecimento de todos os investidores, é que os títulos de Renda Fixa, apesar de possuírem taxas fixas no momento da aplicação, podem variar de preço e taxa até o seu vencimento.

O processo de oscilação é conhecido como "marcação a mercado" e influencia de forma diária a cotação dos títulos de acordo com as condições de mercado e as expectativas da trajetória da taxa básica de juros (SELIC). Apesar das flutuações, o investidor receberá a remuneração contratada caso aguarde até o vencimento do ativo. Além disso, é comum os investidores procurarem ações de empresas que possuem receita atrelada à variação da inflação e ou cláusulas de correção monetária dos aluguéis pelo IPCA ou IGPM. Como exemplo, podemos citar as empresas de setor de shopping centers, energia e etc.

Vale ressaltar que ao escolher a aplicação com a intenção de se proteger contra a inflação, deve-se levar em consideração o perfil de investidor em conjunto com o horizonte de investimentos. Analisar a relação de risco-retorno é primordial para alcançar os objetivos pré-estabelecidos


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