Belo Horizonte, 21/11/2019

Candidatura de Belo Horizonte recebe endosso em nível nacional e segue na disputa por designação na Rede de Cidades Criativas da UNESCO

por Redação | publicado em quinta, 27 de junho de 2019



As quatro cidades selecionadas pela por comissão brasileira foram divulgadas nesta quarta-feira. Dossiê final deve ser entregue até 30 de junho à UNESCO

Belo Horizonte venceu mais uma etapa na busca do reconhecimento como Cidade Criativa da UNESCO pela Gastronomia. A capital mineira teve sua candidatura à Rede endossada pela Divisão de Nações Unidas - Comissão Nacional para a UNESCO no Brasil, do Ministério das Relações Exteriores. O resultado foi divulgado nesta quarta-feira (26 de junho), por meio de comunicado oficial do órgão. Agora, a Belotur tem até o dia 30 de junho para realizar os últimos ajustes no dossiê para submetê-lo à UNESCO.

Também foram endossadas na etapa brasileira as cidades de Aracaju (SE), no campo criativo da Música, Cataguases (MG), pelo Cinema e Fortaleza (CE), por Design e Moda. Apenas dois dos quatro municípios escolhidos serão reconhecidos a nível mundial.

“O que estamos querendo é o reconhecimento da vocação de Belo Horizonte para a gastronomia, da sua singularidade, da nossa cultura e tradição. Ainda temos muito trabalho pela frente. Mas o primeiro passo para receber o título de Cidade Criativa da Gastronomia pela Unesco já foi dado, com excelência”, afirma Gilberto Castro, presidente da Belotur.

Coordenado pela Belotur, o dossiê de Belo Horizonte foi construído coletivamente. Durante o processo de candidatura, que começou em abril de 2018, foram realizados três encontros para mobilização da cadeia produtiva da gastronomia. O primeiro, o “Encontro das Cidades Criativas: Turismo e Gastronomia”, reuniu representantes das três cidades que já foram designadas pela UNESCO no mesmo campo criativo: Belém (PA), Florianópolis (SC) e Paraty (RJ). Em 2019 foram dois encontros, com a presença de cerca de 240 lideranças governamentais e da sociedade civil.

A partir dessas conferências, a Belotur organizou cinco oficinas de trabalho para a elaboração do documento. Participaram cerca de 90 membros do poder público, entidades representativas (Abrasel, CDL, SEBRAE, FIEMG, sindicatos e associações), setor privado (produtores, empresários, chefs e gastrônomos) e instituições de ensino. Os projetos, ações e diretrizes descritas no dossiê possuem, dessa forma, uma grande confluência com o que os atores do setor da gastronomia pensam e planejam para o futuro da capital.

Além de apresentar Belo Horizonte e os projetos, estabelecimentos, chefs, instituições de ensino e todas as características que tornam a capital mineira uma cidade criativa da gastronomia, o dossiê mostra esse campo temático como um agente de mudança e transformação socioeconômica, tecnológica e cultural no município. Outro destaque é o empenho da Prefeitura em consolidar um sistema que garanta o acesso ao alimento e fomente a produção, a comercialização e o consumo de alimentos agroecológicos. Esse desafio se desdobra em diversas frentes de atuação, como a assistência alimentar para escolas e rede socioassistencial e a oferta diária de refeições subsidiadas nos restaurantes populares.

Raio X da Gastronomia em Belo Horizonte

A gastronomia em Belo Horizonte possui autenticidade e representatividade cultural e é um potente setor dentro da economia criativa, o que promove o desenvolvimento socioeconômico do município. Prova disso é que a cidade concentra mais de 30% dos trabalhadores do setor criativo de todo o Estado. Em nível nacional, figura como a terceira cidade brasileira com maior número de profissionais trabalhando em atividades criativas.

Segundo a Abrasel, a gastronomia em Belo Horizonte movimenta cerca de 4,5 bilhões de reais a cada ano. Possui 45.662 empresas do segmento de alimentação. E os negócios do ramo estão entre os três maiores empreendimentos da cidade. Conhecida, também, como “Capital Mundial dos Botecos”, reúne o maior número de bares e restaurantes por habitante do Brasil, sendo 18.600 negócios, concentrados em mais de 10 polos gastronômicos.

A gastronomia responde por quase 40% dos postos de trabalho da economia criativa total, com cerca de 54 mil postos. Com relação aos empregos formais, existem mais de 21 mil pessoas empregadas no setor de gastronomia, o que corresponde, aproximadamente, a 23,3% do total de emprego de todo o estado nessa atividade. Esses empregos geraram, em 2017, uma movimentação financeira de R$ 249,4 milhões (Análise Observatório do Turismo de Belo Horizonte).

A atividade da gastronomia, em termos econômicos, tem se expandido nos últimos anos. O Valor Adicionado Fiscal (VAF) do setor, no período de 2012 a 2017, passou de R$1.021.611.027 para 1.964.813.716, o que representa um crescimento global de mais de 90%.

Foto: Victor Schwaner/Circuito Sapucaí


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