Belo Horizonte, 13/11/2019

Cirurgia agressiva da coluna com dias contados

por Redação | publicado em quarta, 24 de julho de 2019



As estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) são de que cerca de 80% da população mundial teve ou terá dor nas costas em algum momento. Na maior parte dos casos, o problema é resolvido com tratamento fisioterápico, atividade física e controle psicológico da dor. Existem, no entanto, casos que demandam a temida cirurgia de coluna, como os degenerativos graves, ligados à idade avançada, alterações metabólicas ou casos de compressão severa do nervo, causando dor ciática.

Além da dor, quando vem a indicação cirúrgica, começa outro sofrimento. É comum o nervosismo e preocupação extremos, afinal, o senso comum nos diz que trata-se de uma cirurgia extremamente arriscada, invasiva e dolorosa no pós-operatório. A preocupação até poderia ser justificável há alguns anos mas, o que pouca gente sabe, é que já existe um novo tipo de cirurgia da coluna feita por meio de endoscopia, ou seja, cortes pequenos, menor agressividade para o corpo e, em muitos casos, a pessoa já sai caminhando normalmente após o procedimento, sem dor.

No caso da cirurgia endoscópica da coluna, o endoscópio permite a realização da descompressão, ou seja, da liberação dos nervos pressionados (que é o que causa a dor), dilatando-se a musculatura alguns centímetros para que seja inserido um tubo com uma câmera de alta definição na ponta, para otimizar a visualização da parte a ser corrigida. "Durante o procedimento, é feito apenas um corte de um centímetro para inserção do tubo. O tempo do procedimento é de cerca de uma hora e normalmente o paciente tem alta em no máximo 24 horas. A dor pós-operatória é muito menor do que nas cirurgias convencionais e, de forma geral, a pessoa já sai andando normalmente do hospital”, relata o Ortopedista Daniel Oliveira, especialista em coluna e em técnicas cirúrgicas menos invasivas.

O procedimento já é amplamente realizado em países como China, Estados Unidos e Alemanha, além de grandes centros brasileiros e utiliza,ao invés de bisturis e pinças, a alta tecnologia com câmera e instrumentos de proporção reduzida.

Outra diferença é que, na maior parte das vezes, não é necessária a internação na UTI no pós-operatório, enquanto na cirurgia convencional o paciente chega a ficar quatro dias internado. Daniel ressalta que, por não utilizar anestesia geral, apenas sedação e anestesia local, a endoscopia da coluna é mais indicada para pacientes idosos, hipertensos, diabéticos ou com doenças cardíacas e pulmonares. "A recuperação é, em média, de quatro dias e, se respeitadas as recomendações médicas, o paciente já estará apto a retornar às atividades rotineiras, e até mesmo ao trabalho, dentro deste prazo", esclarece ele.



Foto: Ellen Casadonte


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