Belo Horizonte, 13/11/2019

Colégio em BH lança projeto de estímulo à reflexão para mudança de comportamento

por Redação | publicado em quinta, 22 de agosto de 2019



Assumir valores como respeito ao próximo e a si mesmo é importante para eliminar problemas no ambiente escolar

O Brasil é duas vezes mais suscetível ao bullying nas escolas que a média geral das instituições de ensino em 48 países, conforme pesquisa divulgada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O estudo apontou a necessidade de tratar a violência física e emocional estudantil de maneira mais efetiva, promovendo o combate ao bullying para garantir uma sociedade melhor, estimulando o debate entre professores e estudantes sobre o que se pode fazer para evitar a prática. O tradicional Colégio ICJ - Sistema de Ensino Bernoulli, em Belo Horizonte, promove o projeto “Bullying estou fora” para instigar a reflexão dos alunos do 3º ano do Ensino Fundamental I ao 3º ano do Ensino Médio.

A Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem 2018 (Talis, na sigla em inglês) revelou que os educadores brasileiros usam apenas 67% do tempo em sala de aula com o conteúdo didático. O projeto do Colégio ICJ promove várias atividades, como palestras em sala, cartazes com frases para incentivar a reflexão e cartilha on-line, entre outras ações.

A proposta envolve todo o colégio e surgiu da necessidade de prevenir e evitar práticas de bullying, dentro e fora do contexto escolar. “É importante discutir em sala de aula, fomentando as conversas e debates sobre respeito, tolerância e aceitação para crianças e adolescentes entenderem o que é o bullying, compreendendo como e porque é importante saber se colocar no lugar do outro”, explica Emanuelle Brasil, responsável pelo Serviço de Orientação Educacional do Colégio ICJ.

Ela afirma que as consequências do bullying são devastadoras, tanto para os agressores - que podem se tornar adultos violentos, quanto para as vítimas, que podem desenvolver depressão - uma das doenças psicológicas que mais acomete crianças, jovens e adultos no século XXI. “A promoção da reflexão sobre frases e vídeos incentiva crianças e adolescentes a aprenderem mais sobre o tema, gerando benefícios à comunidade escolar. Algumas turmas ainda fizeram registros escritos, manifestando suas opiniões sobre o tema e, afirmações como, ‘Quando a brincadeira é legal, todo mundo se diverte. Se alguém sofre, não é brincadeira, é desrespeito’ e ‘Bullying, não faça aos outros o que não quer que façam a você’, são fundamentais para impactar e construir essa relação de respeito e discussão”, conta Emanuelle.

A diretora pedagógica do Colégio ICJ - Sistema de Ensino Bernoulli Aparecida Nicolai Curto observa que o bullying pode ser identificado com alguns sinais, como não querer frequentar as aulas, pedir para mudar de turma e de escola, diminuir os níveis de concentração e, consequentemente, queda no rendimento escolar. “Quando se identifica os primeiros sinais, pais e educadores devem fazer ações de conscientização sobre a prática, como palestras com psicólogos e capacitação dos pais e funcionários para saberem lidar com a situação. É preciso auxiliar os estudantes a também desenvolverem valores como respeito ao próximo e a si mesmo”, recomenda.

A neurocientista e psicopedagoga Ângela Mathylde avalia que iniciativas anti bullying nas escolas são bem-sucedidas, uma vez que, por meio da reflexão e do debate, alunos e professores conseguem conscientizar os colegas sobre a importância da empatia. “É crucial lembrar que muitos adolescentes sofrem sozinhos, já que expressar as emoções não é natural e desenvolvemos essa habilidade ao longo do tempo. Na adolescência, a introspecção tende a ser maior, por isso é mais difícil falar dos sentimentos. Nem todos os pais conseguem perceber quando o filho está sofrendo bullying”, alerta.


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