Belo Horizonte, 12/04/2021

Dia Internacional da Síndrome de Down dá voz às pessoas com trissomia 21 e defende sua integração e bem-estar

por redacao | publicado em sexta, 19 de março de 2021



Em Belo Horizonte, projeto gratuito Somos 21 dribla as barreiras da pandemia e asssiste a 53 famílias.

Recentemente, a fábrica de brinquedos espanhola Miniland ganhou o prêmio de “melhor brinquedo escolhido pelo júri do ano de 2020” com a sua coleção de bonecos com síndrome de Down. A iniciativa foi reconhecida por promover a diversidade e estimular a necessidade da integração de indivíduos com trissomia 21 em todas as esferas da vida – como lazer, artes, educação e profissional.

De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, estima-se que no Brasil quase 300 mil pessoas têm a trissomia do cromossomo 21, uma síndrome genética, e não uma doença, caracterizada pela presença de três cromossomos 21 em todas ou na maior parte das células de um indivíduo. Estabelecido pela Down Syndrome International (DSI), e reconhecido pela ONU (Organização das Nações Unidas), o Dia Internacional da Síndrome de Down (21/03) tem o objetivo de conscientizar a sociedade sobre a dignidade de pessoas com essa condição e defender sua inclusão e seu bem-estar.

Em Belo Horizonte, um programa bem-sucedido e gratuito, o Somos 21, tem o olhar voltado para as crianças com síndrome de Down, e tem vencido as barreiras impostas pela pandemia, contribuindo para o desenvolvimento e a qualidade de vida dos assistidos. Segundo Rosiane Almeida, professora de Enfermagem e idealizadora do projeto da Estácio, com empenho e orientação é possível driblar as dificuldades do atual cenário e manter em casa as atividades essenciais à evolução dos pequenos.

“O desenvolvimento não depende apenas de profissionais capacitados e terapias. A família é fundamental nesse processo, deve participar do dia a dia e estimular a criança. Pais ou demais familiares que cuidam de crianças com síndrome de Down devem dar continuidade, dentro de casa, às instruções que a equipe multidisciplinar emprega presencialmente”, descreve a profissional.

Rosiane Almeida explica que são inúmeras as atividades possíveis de serem feitas em casa de acordo com cada idade, não apenas para promover o progresso da criança como para fortalecer os laços afetivos: fazer sons com diferentes instrumentos ajudam no desenvolvimento da linguagem; olhar nos olhos estabelece vínculos; ler histórias fazendo coreografias e usando as mãos do bebê; colocar a criança de barriga para baixo no chão e apoiar o peito em um rolo de espuma ou feito de toalha estimula a engatinhar; brincadeiras despertam capacidades como interação, atenção, memória, imaginação, organização, limites, entre outras.

Tecnologia supera dificuldades impostas pelo atual cenário

Segundo Rosiane Almeida, os recursos tecnológicos têm sido uma significativa ferramenta de apoio e atendimento. Funcionando de forma remota há quase um ano, o Somos 21 é voltado para crianças de 0 a 5 anos e tem uma equipe multidisciplinar composta de pediatra, fisioterapeuta, otorrinolaringologista, enfermeira e nutricionista. “Atualmente, atendemos famílias de 53 crianças. Oferecemos auxílio remoto e ficamos à disposição 24 horas por dia”, comenta Rosiane Almeida.

Pelo celular, as famílias relatam suas demandas, como exames, e a coordenadora do programa as direciona para um dos profissionais da equipe. “Além disso, integramos uma forte rede que conta com a participação de diversas comunidades de apoio à trissomia 21, na qual compartilhamos programação de palestras, seminários, transmissões online com especialistas, dicas e informações. É uma interação importante, em que conectamos as famílias aos profissionais mais experientes”, destaca.

O atendimento virtual do Somos 21 tem trazido resultados significativos e Rosiane Almeida, que é mãe do Théo, que tem síndrome de Down, recebe frequentemente vídeos feitos por mães para mostrar a evolução dos pequenos. “É muito gratificante ver esses vídeos e notar que as crianças estão sendo super bem desenvolvidas. São mães extremamente dedicadas, que buscam conhecimento e conseguem estimular os filhos de uma maneira surpreendente. Por isso gosto de frisar que nós, profissionais do Somos 21 e nossos alunos participantes, temos uma função importante no tratamento e reabilitação dessas crianças, mas nosso principal dever é orientar e conscientizar as famílias do seu papel nessa trajetória”, pontua a especialista.

Mais sobre o Somos 21

O projeto Somos 21 nasceu de uma inspiração da professora de Enfermagem Rosiane Almeida que, após o nascimento do seu filho Theo, de dois anos, com síndrome de Down, percebeu que faltavam profissionais capacitados. “Aos três meses de vida, Theo começou a fazer terapias e em muitos momentos me vi levando informação para algum profissional ou até mesmo para mães que aguardavam seus filhos na sala de espera. Concluí que era preciso levar esse conhecimento adiante e, principalmente, capacitar e formar profissionais. Hoje nossos alunos da Estácio passam por essa grande experiência e troca de conhecimentos, vinculados à disciplina do seu curso”, expressa Almeida.

A diretora do campus Floresta da Estácio, Camila Diogo, abraçou o projeto e viabilizou, de forma ágil, sua implantação na instituição. O Somos 21 é coordenado pela professora Rosiane Almeida e funciona em um espaço específico com o apoio da clínica escola. “O Somos 21 é encabeçado pelos cursos de Enfermagem e Fisioterapia, com apoio dos cursos de Nutrição e Direito, e pretende envolver mais cursos, como Odontologia, Pedagogia, Psicologia, Moda, Educação Física e Gastronomia”, informa Camila Diogo.

O programa Somos 21 é um centro de atendimento a crianças com síndrome de Down recém-nascidas até os cinco anos de idade. São oferecidos, gratuitamente, serviços de cuidados, desenvolvimentos físico e cognitivo, alimentação, aprendizagem, atendimento jurídico sobre os direitos legais, entre outros.

De acordo com a idealizadora, o principal objetivo do projeto é acolher, informar e orientar as famílias. “Quando os pais descobrem que vão ganhar um filho especial têm diversas dúvidas, embaladas por sentimentos de medo e angústia. Passado o susto, buscam entender e se informar. Quanto mais cedo os pais estiverem em contato com especialistas e outros pais que compartilhem experiências similares, mais rápido irão aprender a acompanhar um crescimento saudável dos seus filhos”, avalia Rosiane Almeida.

Quando finalizado o período do isolamento social, o atendimento presencial voltará a ocorrer de segunda-feira a sexta-feira, na unidade Floresta. Os interessados deverão agendar a consulta pelo telefone.

Somos 21 - Estácio

Marcação de consultas e informações: (31) 3270.1525 e WhatsApp (31) 98486.6103, de segunda-feira a sexta-feira, das 8h às 17h.

Local: Estácio campus Floresta (Avenida Francisco Sales, 23, Floresta).

Sobre Rosiane Almeida

Docente de graduação em Enfermagem, Fisioterapia, Nutrição e Odontologia.

Especialista em Saúde da Criança e Adolescente, especialista em Saúde da Mulher, especialista em Psicomotricidade e Desenvolvimento Humano.


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