Belo Horizonte, 13/11/2019

Entrevista - Paula Lebbos, sócia–proprietária da Cervejaria Backer, a Melhor Cerveja do Ano

por Redação | publicado em sábado, 16 de março de 2019



Por Fernanda Martins

REVISTA EXCLUSIVE – Qual é o segredo de uma cervejaria campeã?
PAULA LEBBOS – Este ano, a Backer completa 20 anos de vida. Foram muitos anos de dedicação, paciência, aprendizado, parcerias. Então, eu acho que isso conta muito para que possamos conseguir caminhar. Para sobreviver como empresa no Brasil, eu tive aprendizados importantes: persistência, muito estudo, dedicação e parcerias fortes. Essas parcerias nos ajudam a completar e a criar realidade para todos os nossos sonhos. Cada cerveja que a colocamos no mercado, que lançamos para Blumenau e levamos para todos os concursos, durante o ano. São sonhos, que a gente envasa e entrega para o cliente.

RE – Algum dia, Paula, você sonhou que chegariam tão longe como uma ideia tão de vanguarda?
PL – Quando estamos no negócio e amamos de paixão aquilo que fazemos, nós, simplesmente, realizamos. Queremos realizar, oferecer coisas novas para os nossos clientes para desenvolver o setor e mostrar para todo mundo (aqueles que ainda não conhece de cervejas artesanais ou para quem conhece também) que faremos cada vez melhor. Meu sonho é sempre realizar sonhos. E eu nunca penso onde eu chegarei, mas como eu vou chegar. E quero, na verdade, sempre ter sonhos e foco para realizá-los.

RE – Vocês se costumaram com o sucesso?
PL – Eu não [risos]. Eu sou muito tímida, tenho muita vergonha [risos]. Eu falo que sou uma loba solitária. Sou muito de realizar, mas na hora de comemorar eu, às vezes, acho melhor ficar sozinha e avaliar tudo aquilo que fizemos e buscar formas para melhorar. Mas o sucesso é maravilhoso. Quando recebemos a notícia de que tínhamos sido escolhidos a Melhor Cervejaria do Ano do Brasil foi uma emoção que não tem preço.
Só a família Backer (que está ali na produção na administração e no comercial) sabe. Enfim, desde aquela pessoa que nos ajuda de uma forma simples até aquela que precisa resolver problemas maiores. É uma engrenagem que precisa andar junto.
Para a Backer é maravilhoso. Vai ser um ano de muita comemoração, festa e muito compartilhamento. Um ano lindo para Minas. Fazemos cerveja par nós, mineiros. O nosso foco sempre foi Minas Gerais. Esse foco e amor que temos pelo nosso estado acabam extravasando pelo Brasil e mundo inteiro.
Essas medalhas que estamos levando e que as outras cervejarias estão levando foram muito difíceis de ganhar. Este ano, na minha opinião, foi um dos mais difíceis que eu já participei. Vi a dificuldade e a apreensão nos rostos de todo mundo, e, no final, receber esse prêmio foi maravilhoso.

RE – Qual a real importância de Blumenau?
PL – Blumenau é o mais importante evento no nosso meio. Tanto que as pequenas, as médias e as grandes cervejarias estão representadas. Trata-se de um concurso de cervejas nacionais e, no nosso segmento, é o mais importante do ano. A Backer participa desde o primeiro festival e sempre é uma emoção chegar ao pavilhão.
Hoje em dia, são dois pavilhões, com várias cervejarias maravilhosas. São quatro dias intensos, e eu ainda acho pouco. Esse evento é um presente, não somente para setor, mas para o Brasil. É maravilhoso! A Amanda [Reitenbach, uma das coordenadoras do festival] é uma menina muito estuda, de confiança. É uma menina que nos ensina a valorizar e respeitar esse mercado. É o concurso mais almejado para todos nós, e, além do título de melhor cervejaria do ano, nós estamos levando para Minas seis medalhas.

RE – Temos alguma cerveja que é a sua queridinha?
PL – As nossas cervejas são iguais filhos. Quando colocamos um filho no mundo, não tem como a gente ter um preferido. Assim também são as nossas cervejas. Existem momentos que eu prefiro tomar um rótulo, uma cerveja. Mas todas as cervejas que foram lançadas pela Backer são apreciadas, gostamos, estudamos e aprendemos a investir naquele estilo. São todas muito especiais. Mas existem algumas que são mais específicas na hora de fazer a brasagem. O processo da Julieta é muito lindo.
Para o preparo dessa cerveja, trazemos para dentro da Backer frutas vermelhas da região de BH colhidas e congeladas pelo produtor. Quando fazemos a brasagem é um mosto e um cheiro maravilhoso. Vou te confessar, eu não digo que é a minha preferida, mas falo que a Julieta que eu mais gosto de participar da fabricação.

RE – Qual a sensação de vocês com tudo que tem acontecido?
PL – 2018 foi diferente para a Backer. Tivemos, no final do ano passado, o lançamento da Belohorizontina – um divisor de água para a nossa empresa. Ela empurrou a decisão de fazer investimentos maiores e de participar de um pedacinho do setor que, até então, não tínhamos conhecimento: o do destilado.
A Belohorizontina permitiu que fossem realizados investimentos maiores. É um case que precisa ser estudado. Em um ano, ela nos fez crescer o que não tínhamos crescido em três. Ano passado foi um ano de muitos investimentos não só de chão de fábrica, mas de amadurecimento do nosso negócio. Nós fizemos muitas contratações e ainda estamos com um aprendizado grande. Lançamos dois produtos que o mercado cervejeiro nacional não tinha pensado em criar, que foram os dois destilados à base de matéria-prima cervejeira (o uísque e o gym).

RE – Podemos esperar ainda mais da Backer?
PL – Claro que pode esperar muito mais da cervejaria Backer! Eu amo o que eu faço, a família Backer, meus meninos e todo mundo que trabalha conosco ama a Backer e o que faz. Pode esperar muita coisa enquanto eu tiver saúde, ali junto com todo mundo. Tenho certeza que a cada dia que nasce eu quero proporcionar muitas coisas novas para os nossos clientes e nossa família Backer.


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