Belo Horizonte, 20/07/2019

Exposição com 160 artistas estimula reflexão sobre o Nordeste e o "estar a nordeste"

por Redação | publicado em quarta, 15 de maio de 2019



Com mais de 300 obras, grande exposição em São Paulo propõe um mergulho em torno do imaginário que se tem da região Nordeste.

“A Nordeste de que?”, a provocação do artista cearense Yuri Firmeza foi o que motivou a exposição À Nordeste, que o Sesc 24 de Maio, em São Paulo, recebe até o dia 25 de agosto. Com curadoria de Bitu Cassundé, Clarissa Diniz eMarcelo Campos, À Nordeste reúne um conjunto de 343 trabalhos, de diversas linguagens e suportes, do barro aos memes, criações singulares de 160 artistas, quase todos nordestinos, mas não exclusivamente. Artistas de contextos e linguagens diversas, mas com um ponto em comum: uma produção pulsante, que problematiza os imaginários que se tem acerca do Nordeste. A crase em À Nordeste surge como elemento desafiador do estereótipo regionalista, pois evita o artigo definido — e, com ele, uma identidade unívoca — de “o Nordeste”.

“Com esse conjunto riquíssimo, diverso e heterogêneo de obras e artistas, não temos qualquer pretensão em apresentar ao público o que é o Nordeste hoje, mas, sim, o que é estar à Nordeste. Sob essa perspectiva, lançamos luz sobre jogos políticos e estéticos, marcados por contraposições em relações às hegemonias, centralidades e, inclusive, outras periferias”, afirma Clarissa Diniz. Os curadores revisitaram as nove capitais nordestinas e várias cidades do interior. “Iniciamos essas viagens e visitas a campo no segundo semestre do último ano, em pleno processo eleitoral. Neste período, o Nordeste vivenciou um momento um tanto quanto singular, revigorante, de contraposição a uma ideia de Brasil que acabou prevalecendo naquele contexto”, pontua Diniz. “Pudemos ver um Brasil em transformação, a partir de um Nordeste de muitas lutas, mobilizações e reivindicações em torno de suas questões”, completa Bitu Cassundé.

Para se ter uma ideia da diversidade de artistas que integram a exposição, nomes como Abraham Palatinik, Almandrade, Antônio Bandeira, Ayrson Heráclito, Bárbara Wagner e Benjamin de Burca, Bispo do Rosário, Cristiano Lenhardt, Gilberto Freyre, Glauber Rocha, Jean-Pierre Chabloz, Jonathas de Andrade, Juliana Notari, Leonilson, Marepe, Mestre Vitalino, Romero Britto, o coletivo Saquinho de Lixo, Pêdra Costa, Tadeu dos Bonecos, Véio, Zahy Guajajara e muitos outros. “Temos justapostos artistas renomados e criadores culturais que sequer estão inseridos no circuito que hoje entende-se como o circuito da arte contemporânea. Não hierarquizamos aqui as diversas formas de produção de cultura, como outrora se fez entre ‘cultura erudita’ e ‘cultura de massa’. Esse conjunto cumpre um desejo que é dizer o que é a região hoje e quais são as questões ali em voga”, afirma Marcelo Campos.

Para facilitar a navegação do público em meio à exposição, que pelo volume de artistas e obras assemelha-se a uma Bienal, os trabalhos foram divididos em oito núcleos distintos, que se ramificam e contaminam uns aos outros:Futuro, Insurgência, (De)colonialidade, Trabalho, Natureza, Cidade, Desejo e Linguagem. Neles, obras já existentes se articulam a 12 criações inéditas, especialmente comissionadas pelo Sesc 24 de Maio para esta exposição, dos seguintes artistas: Daniel Santiago (PE), Arhur Doomer (PI), Gê Vianna e Márcia Ribeiro (MA), Ton Bezerra (MA), Isabela Stampanoni (PE), Pêdra Costa (RN), Jota Mombaça (RN), Ayrson Heráclito, Iuri Passos e Kabo Duka (BA), SaraElton Panamby e Nara Albuquerque (MA), Marie Carangi (PE) e Alcione Alves (PE), Luis Matheus Brito (SE) e Marcelo Evelin & Matheo di Blasio (PI / Itália).

Sob estas oito chaves de leitura diversas, a exposição À Nordeste propõe um mergulho em questões e perspectivas não-hegemônicas em torno do imaginário que se tem dessa região. O Nordeste emerge então não como um lugar, mas como uma posição, uma situação em meio a um pensamento pautado por centralidades impositivas, colonialistas, extrativistas, que posicionam o centro-sul do País como caixa de ressonância e instância normativa para comportamentos estético-formais.

Algumas obras serão expostas em salas especiais, com visitação apenas para maiores de 18 anos. A exposição contará, também, com uma série de recursos acessíveis, como videolibras, audiodescrição, maquetes e reproduções táteis de alguns trabalhos.

Exposição À Nordeste

Curadoria: Bitu Cassundé, Clarissa Diniz e Marcelo Campos

Período expositivo: até 25 de agosto

Local: Sesc 24 de Maio

Endereço: Rua 24 de Maio, 109, República, São Paulo

Horário de funcionamento: de terça a sábado, das 9h às 21h, domingos e feriados, das 9h às 18h

Classificação indicativa: + 14 (algumas salas são +18)

Agendamento de grupos: agendamento@24demaio.sescsp.org.br


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