Belo Horizonte, 25/01/2022

Janeiro Branco: 19 milhões de brasileiros sofrem de depressão e ansiedade

por redacao | publicado em quarta, 12 de janeiro de 2022



Taxas aumentaram na pandemia entre mulheres, jovens, profissionais de saúde, vulneráveis, pessoas com saúde mental pré-existentes e população de baixa renda. Cultura da alta performance acarreta sofrimento mental.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 19 milhões de brasileiros sofrem de ansiedade e depressão, condições ainda carregadas de estigmas e que se agravaram na pandemia, conforme apresenta o estudo publicado recentemente na revista The Lancet Regional Health – Américas, “Strengthening mental health responses to Covid-19 in the Americas: A health policy analysis and recommendations”: mais de 4 em cada 10 brasileiros tiveram problemas de ansiedade durante esse período.

O mesmo levantamento aponta que as taxas de depressão e ansiedade aumentaram entre mulheres, jovens, profissionais de saúde, vulneráveis, pessoas com saúde mental pré-existentes e a população de baixa renda. No mês de conscientização sobre saúde mental, a psicóloga Flávia Sorice, que atua no Grupo Oncoclínicas, fala sobre prevenção de transtornos mentais e o caminho para o equilíbrio emocional.

Flávia Sorice revela que assim como a depressão, outras doenças psiquiátricas são estigmatizadas por falta de informação, o que leva a diagnósticos/tratamentos errados e/ou precários. “As doenças psiquiátricas não são levadas a sério porque não são palpáveis e visíveis, como uma ferida ou um osso quebrado. Quem tem depressão, teme ser tachado de preguiçoso, por isso muitos indivíduos deixam de procurar por tratamento. Somente quando a doença está em seu extremo ou o pior acontece que as pessoas ligam o alerta para a situação”, afirma Flávia Sorice.

Segundo a psicóloga do Grupo Oncoclínicas, inicialmente a depressão pode ser confundida com a tristeza, mas a primeira evolui enquanto que a segunda é passageira. “A depressão não é frescura nem sinal de fraqueza. O primeiro passo para sair dela é reconhecer, depois aceitar e procurar ajuda especializada”, reforça Flávia Sorice. A especialista separou os indícios mais comuns de que algo não vai bem:

·Sensação de vazio e tristeza que não passa – acompanhada de choro fácil, sentimento de inutilidade, desinteresse e falta de vontade de realizar qualquer atividade, mesmo aquelas que lhe eram muito prazerosas;

·Falta de energia e cansaço constante que impedem a realização de atividades diárias, como higiene pessoal, se alimentar, ir à escola ou ao trabalho;

·Irritabilidade;

·Dores de cabeça constante, queda capilar, unhas fracas e quebradiças, dor de estômago, vômitos (sintomas psicossomáticos);

·Problemas de sono (dormir demais ou ter insônias);

·Perda ou ganho de apetite;

·Perda ou ganho excessivo de peso;

·Falta de concentração;

·Perda da libido;

·Uso abusivo de álcool e drogas (válvula de escape negativa);

·Pensamentos autodestrutivos, vontade de morrer, sentimento de que sua vida não serve de nada, perda total de perspectivas.

A psicóloga salienta que o diagnóstico adequado é determinante para vencer distúrbios de saúde mental, que carecem de mais e efetivas políticas públicas. “A ansiedade e a depressão podem ser tratadas de maneira eficiente quando é feito o diagnóstico preciso e os pacientes são inseridos em um ambiente acolhedor e social. Os tratamentos evoluíram, mas a sociedade precisa avançar e reconhecer cada indivíduo em sofrimento mental, ajudando a acabar com a discriminação tão enraizada”, declara Sorice.

Para prevenir transtornos emocionais, Flávia Sorice é categórica, o caminho é manter uma vida saudável.

“Para combater a depressão e as crises de ansiedade, sugiro focar na qualidade de vida e no bem-estar. Para isso, busque praticar atividades físicas regularmente; crie momentos de lazer para reduzir o estresse diário; evite o consumo de álcool; não use drogas ilícitas; mantenha uma rotina de sono regular; procure ajuda para ter um espaço aberto para a escuta; trabalhe o controle da respiração; evite pensamentos negativos e crie afirmações diárias para motivar o bom desempenho; mantenha o foco de atenção no presente; trabalhe sua organização; dedique um tempo para você; fortaleça o autoconhecimento, adquirindo desta forma mais autoconfiança”, descreve Flávia Sorice.

Cultura da alta performance deixa rastros na saúde emocional

Junto aos benefícios que a vida moderna traz, um ônus em particular tem afetado a saúde emocional da população, a cultura da alta performance em todos as esferas. A autocobrança pelo melhor desempenho como profissional, mãe, pai, filho, amigo, marido, esposa, homem, mulher, em ser positivo e produtivo integralmente, está desencadeando transtornos psíquicos, como expressa Flávia Sorice:

“A busca pela felicidade e satisfação imediatas e a não aceitação da vivência de nenhum tipo de sofrimento refletem a incapacidade do indivíduo de identificar e construir suas formas de enfrentamento de adversidades. Precisamos viver nossas frustrações, acolher nossas emoções, sejam elas positivas e negativas. O sofrimento é inerente à vida humana. É preciso encarar a vida de forma real, algum nível de sofrimento precisa ser tolerado, suportado e elaborado psicologicamente. A busca pelo autoconhecimento é fundamental para sair deste mundo ilusório”, reflete.


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