Belo Horizonte, 12/04/2021

“Antropokaos: Mostra de Ficção Científica Brasileira” revisita clássicos e versões contemporâneas

por redacao | publicado em quinta, 25 de março de 2021



Com programação 100% on-line e gratuita, a Mostra Antropokaos trás um novo olhar sobre o cinema de ficção científica brasileira

Antropokaos: Mostra de Ficção Científica Brasileira, que começou sua história em 2019 em uma ação de ocupação do cinema do Galpão Cine Horto, retorna em 2021 com recursos captados da Lei Aldir Blanc e uma programação 100% on-line e gratuita! Com Idealização de Lea Monteiro e Luís Oliveira, a mostra ocorrerá até 28 de março e conta com sessões de longas e curtas, e debates todas as semanas. Ao final da mostra será publicado um web-livro, com a seleção dos ensaios que foram enviados para a inscrição.

A ficção científica é caracterizada pela sua capacidade de reinventar paradigmas científicos através da arte. Para além de uma simulação do mundo cientificista em que vivemos, a ficção científica tem a capacidade de construir realidades que criam e recriam os imaginários futuristas de um determinado tempo e povo.

Segundo Lea Monteiro, um dos idealizadores da mostra, a ideia surgiu no momento em que ele concluía sua monografia durante um laboratório de ciência da computação. “Quando tentei mestrado em cinema pensei em juntar a antropologia da ciência e o cinema, e me veio essa ideia de pesquisar a ficção científica brasileira, pois acredito que os assuntos em conjunto geram uma boa discussão”, conta.

Apesar do gênero ser dominado pelas grandes produções hollywoodianas advindas dos grandes centros econômicos do mundo, a Ficção Científica tem a capacidade de construir outras realidades que criam e recriam imaginários científicos de um determinado tempo e povo. Um bom exemplo disso é a produção da Marvel Pantera Negra (2018), que recria o imaginário de poder do povo africano como se não houvesse existido a colonização, a escravidão e a exploração de seus territórios.

“A ficção científica brasileira cria imagens de Brasil muito potentes, nos dando uma ideia de como a gente se vê em relação ao resto do mundo. Temos filmes mais sérios que colocam o Brasil como uma potência, e temos as comédias mais antigas que mostram o Brasil como um país subdesenvolvido, fazendo uma crítica à sociedade brasileira”, completa Lea.

O mais recente exemplo de um desses Brasis imaginários criados a partir da Ficção Científica é o aclamado Bacurau, que conta com elementos do gênero para exemplificar um tipo de revolução que vem de onde menos se espera.

“Alguns acadêmicos acreditam que a ficção científica está atrelada a um cinema mais industrial e hollwywoodiano, e que o que fazemos é sempre uma paródia. Esse caráter de paródia acho muito interessante, pois diz muito sobre o cinema brasileiro como um todo, afinal, o cinema brasileiro não conseguiu ainda se firmar como uma indústria”, afirma Lea Monteiro.

Segundo o realizador, a única indústria cinematográfica que temos, e que vem de poucas décadas, é a Globo Filmes, que permanece muito atrelada à televisão. “O cinema sozinho ainda não se firmou como indústria, por isso a ficção científica brasileira se torna interessante, pois ela leva o gênero até às últimas consequências”, completa.

A curadoria da mostra se baseia na pesquisa do livro Atmosfera Rarefeita, de Alfredo Suppia, além de pesquisas com filmes antigos mesclando com produções contemporâneas independentes. O nome da mostra foi inspirado no filme Tropykaos (2013), de Daniel Lisboa.


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