Belo Horizonte, 23/05/2019

Protestos vão marcar 12º Abrace a Serra da Moeda, em Brumadinho

por Redação | publicado em quarta, 17 de abril de 2019



Pela primeira vez, participantes vão usar camisa preta na hora do abraço simbólico, que será formado às 12h28, horário em que barragens da Vale se romperam; haverá ainda homenagens ao Corpo de Bombeiros e às vítimas do grave crime ambiental

“Nosso luto é a nossa luta”: é com esse mote que acontece, no próximo dia 21 de abril, a partir de 10h, na região conhecida como Topo do Mundo, em Brumadinho, a 12ª edição do Abrace a Serra da Moeda. Neste ano o protesto em prol da preservação da cadeia montanhosa, que fica a 30 km do centro de Belo Horizonte, passará por mudanças. O ato será, principalmente, em solidariedade às vítimas do rompimento da barragem de Córrego do Feijão, ocorrido em janeiro, e em repúdio a Vale, empresa responsável pelo grave crime ambiental. Haverá ainda uma homenagem ao Corpo de Bombeiros, que atuou no resgate dos atingidos e das centenas de mortos. A estimativa de público é de três mil pessoas, entre autoridades públicas, ambientalistas, comunidades locais, esportistas, grupos culturais e amantes da natureza.

De acordo com a presidente da ONG Abrace a Serra da Moeda, Cristina Vignolo, o ápice do protesto está marcado para acontecer, pontualmente, às 12h28, [horário do rompimento das barragens da Vale no Córrego do Feijão], quando um enorme cordão humano se formará no cume da serra, simbolizando um grande abraço. Diferentemente das 11 edições anteriores, em que todos os participantes sempre usaram uma camisa branca, nesta 12ª a cor preta será escolhida pelos organizadores para reforçar o luto vivido por todos os moradores de Brumadinho, desde o último dia 25 de janeiro. “Queremos reivindicar, ou melhor, exigir uma mudança de rumo na condução das políticas econômicas, que vem comprometendo a capacidade de prevenir a sociedade de desastres causados por grandes empreendimentos poluidores. Mais que responsabilizar os envolvidos nesse crime, é preciso evitar que situações semelhantes sejam repetidas”, ressalta Cristina.

Além do abraço simbólico, uma grande performance com 32 artistas está prevista para acontecer durante o evento. O ato, que será dirigido pelo bailarino, ator e coreógrafo mineiroTiago Gambogi, irá destacar algumas cenas marcantes da tragédia de Brumadinho, entre elas o momento em que os rejeitos da barragem de Córrego do Feijão se romperam, matando pessoas e destruindo toda a região ao redor, e a busca incansável dos bombeiros por corpos e sobreviventes. “Durante a encenação, alguns atores/performers serão arrastados e/ou carregados por performers-bombeiros. Aos poucos todos se levantam e começam a se pintar com tinta vermelha e lama, de maneira ritualística, ao mesmo tempo em que irão emitir palavras de ordem expressando o descontentamento da sociedade por este genocídio cometido em Brumadinho”, explica Gambogi.

Reivindicações dos anos anteriores continuam

Além de trazer à tona o crime ambiental cometido pela Vale em Brumadinho, a 12ª edição do Abrace a Serra da Moeda continuará exigindo da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD), responsabilidade com a segurança hídrica da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Isso porque o órgão ambiental estadual vem se posicionando favorável à viabilidade de empreendimentos que produzem significativos impactos, especialmente na Serra da Moeda, sem qualquer estudo conclusivo acerca da viabilidade hídrica dessas atividades.

Um desses empreendimentos que, segundo os ambientalistas do Abrace a Serra da Moeda, vem reduzindo drasticamente a vazão de nascentes da região é a fábrica de refrigerantes da Coca-Cola FEMSA, instalada no município de Itabirito, às margens da BR-040, em meados de 2015.

Com capacidade para produzir 2,4 milhões de litros de refrigerantes por dia, a multinacional, localizada em uma estrutura geológica conhecida como Sinclinal da Moeda, extrai mensalmente 173.253m3 de água dos mananciais subterrâneos da Serra apenas para atender a demanda de seus poços, situados a poucas centenas de metros de aquíferos que atendem milhares de pessoas em Brumadinho. Com isso, algumas comunidades locais passaram a enfrentar uma situação de desabastecimento. É o caso do pedreiro Arlindo Leocárdio da Silva, de 58 anos. Segundo ele, desde que a fábrica da Coca Cola chegou a região e passou a tirar água da nascente Campinho, o vilarejo onde ele mora, que leva o mesmo nome da nascente, passou a ser abastecido por três caminhões-pipa, enviados diariamente pela empresa. “Atualmente a nascente está com um volume razoável por causa das chuvas recentes, mas quando o período de estiagem chega, a consequência é a falta de água até mesmo para as necessidades mais simples. Antigamente eu tinha plantação e criava gados. Hoje, infelizmente, tive que abrir mão dos dois”, revela.

Para contornar o problema a ONG Abrace a Serra da Moeda, já apresentou à direção da Coca-Cola, alternativas locacionais para o abastecimento dos poços que operam na fábrica. No entanto, até hoje a tradicional empresa de refrigerantes se nega a estudar o assunto. “Pedimos que as autoridades públicas tratem esta questão de forma urgente e com respeito aos moradores”, alerta Maria Cristina, acrescentando que essas nascentes deterioradas alimentam, inclusive, o Rio Paraopeba, que, por sua vez, é um dos responsáveis pelo abastecimento da grande BH. “Se elas continuarem sendo comprometidas, cedo ou tarde a população da capital mineira também vai ter que entrar num esquema de racionamento, ou seja, a devastação tem efeito dominó”, destaca a ambientalista.

CSul

O projeto da Centralidade Sul, na Lagoa dos Ingleses possui 27 milhões de metros quadrados. Recebeu a aprovação da Licença Prévia (LP) do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) em 2018 e segue firme para consolidar o planejamento urbano com a diversificação econômica, a atração de novos investimentos e geração de empregos no Vetor Sul da RMBH. O desenvolvimento deste projeto está em convergência com o planejamento metropolitano e surgiu a partir da necessidade identificada no Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado (PDDI), que propõe três novas centralidades para o estado de Minas Gerais , dentre elas está a Centralidade Sul. Ele foi coordenado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em parceria com a Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG) e PUC Minas. Idealizado pela CSul Desenvolvimento Urbano, o projeto já vem atraindo importantes empresas e instituições, como por exemplo, a Biomm, fábrica de insulina; o complexo mixed used em construção pela EPO; a Biotech Town, incubadora e aceleradora de startup’s na área de biotecnologia e a PUC Minas que implantará um campus na região com cursos de graduação e pós-graduação, além de uma unidade do Colégio Santa Maria.

Questão hídrica – Em agosto/2016, foi iniciado um programa pioneiro de “Monitoramento e Pesquisa Hidrogeológica”, com o objetivo de garantir a segurança hídrica para toda a região no que se refere à etapa de concessão das outorgas futuras de abastecimento público. Para isso, está sendo realizado o detalhamento hídrico para a modelagem do seu principal aquífero. Esse modelo será uma ferramenta relevante para a gestão pública dos recursos hídricos no vetor Sul, que subsidiará o órgão ambiental na análise de concessão de outorgas para quaisquer empreendimentos, inclusive a CSul, que pretendam se instalar naquela região. Isso trará toda segurança necessária para todos. A execução do Programa de Monitoramento e Pesquisa Hidrogeológica foi reafirmada como condicionante da Licença Prévia que o projeto conseguiu, sendo pré-requisito para a obtenção da licença de Instalação. A solução prevista de abastecimento para a primeira etapa do CSul será através de água subterrânea, captada por meio de poços tubulares, conforme consta dos relatórios formalizados junto ao processo de Licença Prévia. É importante salientar também que a legislação mineira não permite que o abastecimento público de qualquer novo empreendimento cause impactos ao abastecimento público já existente.

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CSul

O projeto da Centralidade Sul, na Lagoa dos Ingleses possui 27 milhões de metros quadrados. Recebeu a aprovação da Licença Prévia (LP) do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) em 2018 e segue firme para consolidar o planejamento urbano com a diversificação econômica, a atração de novos investimentos e geração de empregos no Vetor Sul da RMBH. O desenvolvimento deste projeto está em convergência com o planejamento metropolitano e surgiu a partir da necessidade identificada no Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado (PDDI), que propõe três novas centralidades para o estado de Minas Gerais , dentre elas está a Centralidade Sul. Ele foi coordenado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em parceria com a Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG) e PUC Minas. Idealizado pela CSul Desenvolvimento Urbano, o projeto já vem atraindo importantes empresas e instituições, como por exemplo, a Biomm, fábrica de insulina; o complexo mixed used em construção pela EPO; a Biotech Town, incubadora e aceleradora de startup’s na área de biotecnologia e a PUC Minas que implantará um campus na região com cursos de graduação e pós-graduação, além de uma unidade do Colégio Santa Maria.

Questão hídrica – Em agosto/2016, foi iniciado um programa pioneiro de “Monitoramento e Pesquisa Hidrogeológica”, com o objetivo de garantir a segurança hídrica para toda a região no que se refere à etapa de concessão das outorgas futuras de abastecimento público. Para isso, está sendo realizado o detalhamento hídrico para a modelagem do seu principal aquífero. Esse modelo será uma ferramenta relevante para a gestão pública dos recursos hídricos no vetor Sul, que subsidiará o órgão ambiental na análise de concessão de outorgas para quaisquer empreendimentos, inclusive a CSul, que pretendam se instalar naquela região. Isso trará toda segurança necessária para todos. A execução do Programa de Monitoramento e Pesquisa Hidrogeológica foi reafirmada como condicionante da Licença Prévia que o projeto conseguiu, sendo pré-requisito para a obtenção da licença de Instalação. A solução prevista de abastecimento para a primeira etapa do CSul será através de água subterrânea, captada por meio de poços tubulares, conforme consta dos relatórios formalizados junto ao processo de Licença Prévia. É importante salientar também que a legislação mineira não permite que o abastecimento público de qualquer novo empreendimento cause impactos ao abastecimento público já existente.

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Mineradora Ferrous Resources do Brasil

Além do esgotamento das nascentes provocado pela Coca-Cola e da possibilidade iminente de instalação do CSul Lagoa dos Ingleses, também chama a atenção dos ambientalistas da Abrace a Serra da Moeda o fato da Vale ter comprado, recentemente, os direitos minerários da Ferrous Resources do Brasil e poder, a partir dessa aquisição, reativar a Mina da Serrinha, localizada em Piedade do Paraopeba. “Essa mina provocará o rebaixamento do lençol freático e consequentemente o esgotamento da nascente Mãe D’água, que está ao lado do empreendimento. Isso vai afetar diretamente 10 mil famílias das comunidades Córrego Ferreira, Palhanos, Recanto da Serra, Águas Claras, Jardins e Retiro do Chalé”, destaca Vignolo.

Estudos técnicos demonstram ainda que a volta da mineração nesta região trará a degradação da paisagem, instabilidade da encosta da Serra, poluição sonora, crescimento urbano desordenado, emissão de poeira e colocará em risco a sobrevivência de espécies de flora endêmicas e de fauna, atualmente ameaçadas de extinção.

A Mina da Serrinha afetará também a vida de pessoas de comunidades do vale do Paraopeba, devido às instalações de alto impacto ambiental, como pilhas de estéril, bacia de rejeitos, usina de beneficiamento e mineroduto. “O transporte do minério impactará os prédios históricos de Piedade do Paraopeba e as estradas municipais, por onde passarão a circular os caminhões de minério para escoar a produção da mina”, explica a presidente.

Informações sobre a Serra da Moeda

Localizada no Quadrilátero Ferrífero e ao sul da cadeia de montanhas do Espinhaço, a Serra da Moeda está a 30 km do centro de Belo Horizonte. Com 1500 metros de altitude, abriga inúmeras nascentes e uma vasta biodiversidade. A vertente de Brumadinho, onde se realiza o abraço simbólico, vem se firmando também como um dos destinos turísticos mais atraentes nas proximidades da capital mineira. A beleza cênica, altitude, relevo e a condição climática tornaram o espaço ideal para a prática de esportes outdoor, como voo livre, mountain bike, cavalgadas e caminhadas. A gastronomia local também é outro grande atrativo.

Sobre a ONG Abrace a Serra da Moeda

Responsável pelo abraço a Serra da Moeda, protesto realizado anualmente desde 2008, a ONG Abrace a Serra da Moeda tem se destacado pela defesa das águas e serras de Minas Gerais. Inicialmente como movimento popular, constitucionalizou-se em associação civil em 2011.

Como chegar - Topo do Mundo


De BH - Acesso pela BR 040, sentido Rio de Janeiro - Continuar reto após o trevo de Ouro Preto (altura do Alphaville) e pegar a Saída 567 (Inhotim), à direita, subida para o condomínio Retiro do Chalé.

Serviço:

12º Abrace a Serra da Moeda

Data e hora: 21 de abril, domingo, a partir de 10h

Horário do abraço simbólico: pontualmente às 12h28

Local: Rampa de voo livre no Topo do Mundo (De BH - Acesso pela BR 040, sentido Rio de Janeiro - Continuar reto após o trevo de Ouro Preto (altura do Alphaville) e pegar a Saída 567 (Inhotim), à direita, subida para o condomínio Retiro do Chalé.)

Entrada gratuita


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